GMI: Os perigos da especialização precoce no Jiu-Jitsu

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Por: Marcus Costa *

Como investir no futuro do seu jovem atleta, sem atrapalhar seu desenvolvimento. Foto: Ivan Trindade/GRACIEMAG

Como investir no futuro do seu jovem atleta, sem atrapalhar seu desenvolvimento. Foto: Ivan Trindade/GRACIEMAG

Existe uma grande diferença entre “iniciação esportiva” e “especialização esportiva”. A primeira expressão se refere ao ingresso das crianças no esporte, ou seja, trata-se do contato inicial com as modalidades esportivas, algo muito benéfico, lúdico e prazeroso.

Já o termo “especialização esportiva” pressupõe a imposição de regras e a busca por resultados de excelência em âmbito competitivo, o que, em muitos casos, em vez de estimular o desenvolvimento, pode causar repulsa ao esporte por parte da criança.

Estudos mostram que os atletas que alcançaram a elite de suas respectivas modalidades se especializaram por volta de 18 anos de idade e treinaram menos na infância. Tais atletas de elite teriam intensificado o treinamento durante a fase final da adolescência, época em que já estão mais preparados para lidar com cobranças, pressão, expectativas e frustrações.

A literatura científica considera importante estimular as crianças a praticarem vários esportes sem buscar competição em todas elas, pois, se essa ânsia desenfreada e precoce pela medalha de ouro for semeada, certamente irá sobrecarregar o sistema músculo articular e psicológico desses jovens atletas.

Nesse período de iniciação esportiva, é interessante se resguardar da especialidade precoce, afinal, para se alcançar resultados expressivos, exigem-se muitas horas de treinamento e muita pressão pelo resultado, o que pode provocar lesões, esgotamento e ainda privação de outras tarefas importantes da vida do jovem atleta.

Se pensarmos na formação de um futuro grande campeão, que se desenvolve de forma gradual e com uma perspectiva de longo prazo, podemos dividir a trajetória do atleta da seguinte maneira:

PREPARAÇÃO PRELIMINAR (6 A 11 ANOS): visa a oportunização ao esporte. A cada três meses a criança faz um esporte diferente do outro. Nesse momento as competições têm um caráter recreativo.

ESPECIALIZAÇÃO INICIAL (12 A 14 ANOS): objetiva a seleção por parte do próprio atleta a um ou três determinados esportes, nesse período as competições têm um caráter formativo.

ESPECIALIZAÇÃO APROFUNDADA (15 A 17 ANOS): foca num único esporte, visando às competições regionais, nacionais e internacionais (continentais).

PREPARAÇÃO ESPECÍFICA: tem como meta a máxima manifestação das possibilidades desportivas, ou seja, dos resultados superiores em competições internacionais (intercontinentais, mundiais e olímpicas).

LONGEVIDADE DESPORTIVA: preocupa-se com a manutenção dos resultados, ou seja, manter o atleta em alto rendimento nas competições de resultados superiores.

* O preparador físico Marcus Costa é nosso GMI no Rio de Janeiro. Em caso de dúvidas, acesse o site www.mvtrainer.com.br ou então mande mensagens para o e-mail de Marcus (marcuscosta@mvtrainer.com.br) ou para a sua página no Facebook: www.facebook.com/mvtrainer.

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There are 11 comments for this article
  1. Leandro Goulart at 8:41 pm

    Não gostei da matéria. Acho até contraditória, pois dessa forma tá tirando o leite dos filhos dos professores de JIU JITSU. Imaginem os pais dos nossos alunos lendo essa matéria? Vão colocar os filhos pra fazerem um esporte diferente a cada três meses?

    • Nathaniel at 2:25 am

      Talvez vc pense isso porque a preocupação da matéria e do autor seja com a realidade de uma experimencia pratica e não com fazer dinheiro a custa da saúde das crianças. Questão de ética prodissional do autor.
      Essa é a única contradição e veio de vc, caro Leandro Goulard.

  2. Deborah Henrich Cocchiarale at 11:22 am

    Mt bom! Crianças devem ser crianças! Infelizmente o que vemos hj em dia é q grande parte dos pais colocam seus sonhos em cima dos pequenos. O esporte na infancia é muito importante, a criança deve acima de tudo se divertir com o q pratica. Muitos pais querem a todo custo criar mini adultos, querem levar as crinças para competir todo final de semana, querem exigir uma atuação perfeita nos tatames, querem a finalização em menos tempo. Nao percebem q essa pressão toda precoce, desanima, frustra, cansa, e no meio do caminho, muitos talentos, q de fato poderiam se tornar grandes campeões, desistem, pq tudo isso foi imposto cedo demais!

  3. Marcos Almeida at 2:22 pm

    É muito comum ver professores não capacitado encinando golpes mortais, como o mata-leão a crianças,qual o órgão que fiscaliza as academias????

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