Beatriz Mesquita e as lições do leglock que rendeu o ouro no Mundial de Jiu-Jitsu

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Bia Mesquita mantém reinando no peso leve. Foto: Ivan Trindade/GRACIEMAG

Bia Mesquita mantém reinando no peso leve. Foto: Ivan Trindade/GRACIEMAG

Aos 23 anos, Beatriz Mesquita já faz parte da história do Jiu-Jitsu feminino. A estrela da Gracie Humaitá confirmou o favoritismo no peso leve ao vencer o seu quarto título no Mundial da IBJJF, realizado no fim de maio, na Califórnia.

Na final, a faixa-preta de Letícia Ribeiro finalizou Fabiana Borges no leglock para ficar com o ouro na categoria.

No absoluto da competição, Bia não teve o mesmo resultado e caiu na semifinal, com a derrota para Monique Elias (Alliance).

Depois de terminar as provas na faculdade, Bia bateu um papo com GRACIEMAG. Na conversa, ela analisa seu jogo clássico, conta como finalizou Fabiana Borges, fala da derrota para Monique e destrincha os planos para o ADCC 2015, em São Paulo.

GRACIEMAG: Como foi conquistar o seu quarto título mundial de Jiu-Jitsu no leve?

BEATRIZ MESQUITA: Eu estava muito apreensiva para ganhar este ano, não é fácil chegar ao topo. Cada luta é uma final, todas as meninas são profissionais e estavam lá pelo título. Mas eu estava pronta. Sabia que não seria fácil, mas tinha certeza que a vontade do título me levaria ao êxito. A vitória é consequência da dedicação, determinação, garra, perseverança e eu tenho tudo a meu favor. Ninguém quer perder e não sou diferente. Graças a Deus venci pelo quarto ano consecutivo. Treinei pesado no camp da Gracie Humaitá, sob os comandos de Leticia Ribeiro. A dedicação e o treino duro são indispensáveis. Ter uma líder que já esteve onde estou também faz toda a diferença. A Letícia já ganhou sete vezes o Mundial, então, é sempre essencial tê-la bem perto. Ela orienta e passa experiência, facilita minha trajetória e me mostra o melhor caminho.

Qual foi o detalhe para finalizar Fabiana Borges na final do peso leve?

Na verdade, logo quando peguei a faixa-marrom eu fazia muito leglock e chave de pé. Mas acabei machucando meu pé e parei de fazer. Eu tinha receio de deixar meu pé, até porque como sempre digo: “quem dá chave de pé, toma no pé também”. Já fiz muito fortalecimento e hoje voltei a ter confiança em defender as chaves. Agora voltei a praticar o leglock e a americana no pé. Fiz bastante no treino e voltou a ficar no piloto automático. Não tem nenhum segredo, acho que o que faz diferença é o treino. Se você treina, está pronto para fazer a qualquer momento.

O seu jogo básico tem surpreendido as outras meninas?

Meu Jiu-Jitsu é realmente bem clássico. Não faço berimbolo ou guarda lapela, apesar de treinar para não ser surpreendida. Isso não faz muito meu estilo. Eu continuo acreditando no básico e eficiente, vem dando certo nestes meus 19 anos de carreira. Até porque ninguém é invencível e aprendemos todos os dias, principalmente, quando erramos. Acho que não vai ser agora que vai mudar, já está no meu sangue.

O que deu errado contra Monique Elias no absoluto do Mundial?

Acabei entrando no jogo dela. Errei no começo da luta quando tentei estourar a pegada sentada e ela subiu. Depois disso, foi difícil recuperar os dois pontos. Foi uma luta muito travada e não estou acostumada a lutar assim. Infelizmente, sei que cada dia vai ser mais difícil lutar para frente e para finalizar, pois as meninas que estão chegando querem a vitória e não se importam de fazer uma luta feia e travada para ganhar. Então, esse é um erro que preciso consertar: aprender a lutar com estrategistas.

Agora começam os treinos para o ADCC. Vai treinar quedas?

Estou ansiosa para o ADCC. Eu almejei muito esse convite e não vou decepcionar. Vou treinar muito, muito mesmo. Preciso estudar a regra, que não conheço muito bem. Mas estou confiante de fazer uma ótima apresentação. Acho que a parte de wrestling vai ser fundamental. Só estou esperando passar a semana de provas na faculdade para retornar a San Diego, na Califórnia. Acredito que vai ser mais fácil o camp lá, as meninas adoram treinar sem kimono e tem também o wrestling, que eu estava treinando antes do Mundial. Sem falar que tem a Letty lá. Ela já participou do ADCC e vai poder passar muita experiência, me ajudar como sempre. Além do (Fabrício) Morango também. Ele sabe muito detalhe sem kimono e vai poder me dar dicas. É um desafio excitante e mal posso esperar para lutar com as grandes campeãs que estão confirmadas no evento.

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