Luan Carvalho e a arte de lutar “camuflado” no Brasileiro de Jiu-Jitsu 2015

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Luan Carvalho faz pegada no kimono de Michael Langhi. Foto: Jair Sinistro

Luan Carvalho faz pegada no kimono de Michael Langhi. Foto: Jair Sinistro

Aos 23 anos, o faixa-preta Luan Carvalho provou que a renovação da Nova União no adulto não cessa. No Brasileiro de Jiu-Jitsu, realizado no início de maio em São Paulo, o atleta de Macaé foi campeão numa das categorias mais disputadas do evento da CBJJ, o peso leve.

Para trilhar o caminho de ouro, Luan precisou bater Michael Langhi na semifinal, via decisão do juiz. E depois, na final, teve de ser cauteloso para vencer Juan Kamezawa, também da Alliance, nas vantagens.

O título rendeu não apenas a medalha, mas elogios: muitos campeões mundiais presentes no ginásio apontaram Luan como o mais consistente do evento em Barueri.

Em papo com GRACIEMAG, Luan falou como venceu Michael Langhi, contou como superou seus medos psicológicos e analisou o Mundial da IBJJF, seu próximo objetivo.

GRACIEMAG: O que um novato precisa fazer para surpreender os atletas experientes?

LUAN CARVALHO: Não ser favorito me ajudou. Muitos na competição não olhavam para mim como o próximo campeão, nem como aquele que iria passar dos tops da categoria. Eles me olhavam como mais um possível atleta a chegar ao pódio. Isso, de alguma forma, me camuflou na selva dos leões [risos]. Aprendi que meus bloqueios mentais não me deixavam ser o Luan que sou nos treinos. Lutar com um grande nome não é fácil para um atleta e, principalmente, para um garoto de 23 anos. Graças ao Gustavo Dantas e seu projeto “The BJJ Mental Coach”, tive a oportunidade de trabalhar meu lado psicológico e perceber que sou muito mais do que imaginava. Fui bem no Pan, mas ainda não tinha me encontrado psicologicamente. Resolvi então colocar em prática todo o ensinamento do Gustavo. Fui me abrindo e analisando minhas dificuldades de brigar contra bloqueios mentais negativos. Em vez de ter medo e me bloquear por estar no meio dos melhores, falo para mim mesmo que sou o melhor. E que na próxima chance ninguém vai roubar meu sonho.

O que fez para anular a guarda de Michael Langhi na semifinal?

Tenho bastante treino forte na Nova União Macaé e antes do Brasileiro montamos um estudo do jogo dos atletas da categoria. Estudamos uma forma de tentar sair na frente e tomar iniciativas nas passagens de guarda, oferecendo perigo. Geralmente os atletas puxam errado ou ficam com medo da guarda ativa do Langhi. Tentei oferecer perigo e fazer com que ele se fechasse na defesa também. Caso eu fosse raspado, o plano era devolver logo e nunca ficar atrás no placar. Confesso que foi tensa essa luta. Revendo e estudando o vídeo com meu professor Cláudio Joanino, percebi diversas coisas que poderia ter arriscado. Mas tive aquele bloqueio de não errar por estar lutando com um cara do qual sempre fui fã. Foi uma experiência de medo e superação. Mas depois de tudo percebi que foi uma passagem de etapa para eu mesmo perceber o quanto sou capaz de me soltar e fazer melhor nas próximas vezes.

Na disputa pelo ouro, você encarou o Kamezawa. Como foi a vitória?

Meu professor olhou para mim e disse: “O pior já passou, vai deixar escapar seu sonho na última luta?”. Eu sabia que ele iria me puxar, então não tive medo de ficar por cima. O plano era sempre estar na frente, seja com pontos ou vantagens, e jamais parar. Não deu outra, ele me puxou e vi todo o plano para a luta ser concretizado. Mantive minhas pegadas e bases bem justas, e aproveitei as brechas para atacar. Tentei finalizar no pé, e ali abri a primeira vantagem. Depois cheguei à lateral, forçando o Juan a virar de costas – foi a segunda vantagem. Dali em diante resolvi apenas jogar nos erros dele e caso tivesse oportunidade, iria progredir e tentar ganhar mais pontos. Foi um jogo de calma e paciência, já estava na frente, então era administrar o combate até o final. Tentei não me expor para não tomar nenhum ponto.

Agora vem o Mundial na Califórnia. Qual é o seu sentimento?

Tenho fé que um sonho nunca morre e que mais cedo ou mais tarde vou concluir o que sempre fiz em toda minha vida. Quero ser campeão mundial na faixa-preta. Minha única medalha na Pirâmide é um bronze no Pan, em 2014, ainda na marrom. Serão muitas batalhas pela frente neste Mundial, mas tenho certeza de que estou preparado. Com paciência e sabedoria, sei que posso surpreender os amantes do Jiu-Jitsu. Tenho uma estrela chamada coração pronta para brilhar no Mundial 2015!

Esta cobertura do Mundial de Jiu-Jitsu 2015 é um oferecimento de Storm Strong!

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