Artigo especial: Rafael dos Anjos, o endiabrado anjo do MMA

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Quando pensamos em anjos, geralmente nos vêm à mente aqueles seres divinos, bonzinhos e iluminados, com seus cabelos loiros encaracolados, tocando harpas e dando conselhos sobre paz e amor. O anjo da literatura clássica e das pinturas renascentistas. Os anjinhos que enfeitam a Capela Sistina no Vaticano.

Quando pensamos no lutador do UFC Rafael dos Anjos, a imagem que surge em nosso inconsciente não tem absolutamente nada a ver com essa iluminação e bondade toda. Se tivéssemos que catalogar o Rafael em alguma categoria de anjos, teríamos de ficar com aquele outro tipo narrado na Bíblia: o dos anjos guerreiros. Os anjos que expulsaram Lúcifer do Paraíso e que lutam com espadas de fogo contra os demônios que espalham maldades. Esses anjos que são destemidos e impiedosos para impor a justiça.

A chegada do carioca Rafael ao UFC, com seu bom Jiu-Jitsu mas com muitas falhas na trocação, não me inspirava muita fé, confesso. As derrotas para Jeremy Stephens, Tyson Griffin e, principalmente, a finalização em uma “chave de mandíbula” sofrida contra Clay Guida (na verdade uma finalização encaixada no queixo e prensada na grade que lesionou a mandíbula de Rafael) me impediam de virar um fiel seguidor. Mas eis que surgiu o milagreiro treinador Rafael Cordeiro e concedeu novas asas para o anjo lutador.

Com o muay thai em constante evolução (treinado também na Evolve MMA em Cingapura, não se pode esquecer) e sem descuidar do Jiu-Jitsu com Roberto “Gordo” Correa, Rafa passou a ganhar asas. As convincentes vitórias contra Georges Sotiropoulos, Kamal Sharoulos e contra o duríssimo Donald Cerrone foram o suficiente para converter alguns incrédulos. Mas a consagração começou a vir mesmo com o belo nocaute aplicado no ex-campeão Ben Henderson, em agosto de 2014.

No fim de 2014, foi colocado um verdadeiro demônio no caminho do nosso Dos Anjos. Nate Diaz sempre fez questão de destacar seu lado malvado, dentro e fora do octógono. Chegou a empurrar e xingar Rafael, gratuitamente, após o encerramento da pesagem para a luta. No UFC on Fox 13, Rafael fez Diaz pagar por seus pecados. Cada provocação, cada desrespeito, cada má conduta foi retribuída com uma pancada, um chute ou uma queda. Olho por olho, dente por dente.

Dos Anjos dominou completamente a luta e aplicou uma surra divina no americano, e venceu por decisão unânime dos jurados. Frustrado, Nate desferiu um antiético tapão na cara do brasileiro quando a luta estava para acabar. Sei que não é lá muito cristão, mas vibrei quando o enfurecido Rafael levantou imediatamente e retribuiu o tapa com uma humilhante sequência de bofetões de mão aberta. Nada de dar a outra face.

Nate Diaz deve ter confundido o nosso Dos Anjos com aqueles anjinhos inofensivos sobre os quais comentei ali em cima. Mas posso garantir: o americano jamais vai cometer novamente essa confusão, nem mais ninguém.

* Artigo publicado originalmente em GRACIEMAG edição 215

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