Luta mista do Shooto é ação contra violência doméstica do Disque Denúncia

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Banner com Dedé, revelando a verdade sobre o combate misto. Foto: Reprodução

Banner com Dedé, revelando a verdade sobre o combate misto. Foto: Reprodução

O combate entre Emerson Falcão e Juliana Velasquez não vai acontecer. Todo o projeto do combate misto  de MMA não passava de uma campanha formulada por Dedé Pederneiras juntamente com o Disque Denúncia.

Por meio das redes sociais, Dedé divulgou um banner revelando a ação, e completou com a seguinte declaração:

“Vocês sabiam que a cada 90 minutos uma mulher morre vitima de agressão masculina? Não? Nem eu, até decidir fazer essa campanha”, disse Dedé em sua conta no twitter.

As opiniões ficaram divididas nas mídias após a revelação de Dedé. Uns apoiaram a ação do líder da Nova União, outros disseram que foi mal planejado, e alguns até afirmam que Dedé, após a má repercussão do caso, decidiu apagar o incêndio forjando a campanha.

E você, leitor, o que achou da ação de marketing de Dedé Pederneiras com o Disque Denúncia? Comente!
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There are 11 comments for this article
  1. Ricardo Storti at 1:48 pm

    Me enganou, a idéia foi boa. Só faltou o gran finale.
    Tinha q ter entrado os 2 no ringue e ali sim, antes da luta, divulgar a ação.
    Atairia muito mais atenção até o momendo da luta.

    O Chiquinho Scarpa fez isso para doação de orgãos e revelou a cena somente na hora H.

  2. Ricardo Storti at 1:48 pm

    Me enganou, a idéia foi boa. Só faltou o gran finale.
    Tinha q ter entrado os 2 no ringue e ali sim, antes da luta, divulgar a ação.
    Atairia muito mais atenção até o momendo da luta.

    O Chiquinho Scarpa fez isso para doação de orgãos e revelou a cena somente na hora H.

  3. Thiago Macedo at 3:37 pm

    fiquei chocado com a possibilidade dessa luta, conhecendo o Dedé, eu pensei: "ele deve ter algo em mente", agora entendo e fico bem mais tranquilo por perceber a grande capacidade desse grande treinador

  4. Camela Maria Von Chops at 3:07 am

    Velasquez X Falcão – ninguém ganhou com essa porra.

    Uns dias atrás anunciaram a primeira luta mista na história do MMA. Shooto 45: Juliana Velasquez x Emerson Falcão. Um cara contra uma mina! Mesma categoria, mesmo peso, ambos grandes lutadores.

    Fiquei lendo vários comentários na internet sobre o tema e me chamou atenção como muitas pessoas – tanto homens como mulheres – ficaram super revoltadas com o evento. Uns por acharem que ele seria um ato de “covardia", outros por acreditarem que era sacanagem mesmo é com o cara, já que se ele perdesse ia ser zuado porque apanhou de uma mulher, mas se ele ganhasse ia ser acusado de agressor. Entre os poucos comentários que apoiavam a luta, estava o de um cara dizendo que era bom que o evento rolasse para lembrar a mulherada de que elas, afinal, não podem fazer tudo o que um homem faz. A luta era para acontecer hoje, mas agora divulgaram que o anúncio era falso. O chamado foi uma ação publicitária para gerar polêmica e chamar atenção do público para um problema gravíssimo por aqui: a violência doméstica contra as mulheres. Aparentemente a intenção era ótima, mas achei a forma de tratar o tema lamentável. Muito ruim mesmo.

    O anúncio que desmente o evento diz assim: “Essa luta não vai acontecer no ringue. Mas fora dele, está acontecendo em milhares de casas”.

    Que luta é essa que acontece dentro das casas? Por acaso é uma luta marcada, em que ambas as partes entram em acordo para um combate honesto e com regras bem definidas? A comparação infeliz da campanha vem de encontro com vários comentários que eu já tinha lido na internet, falando que o Emerson Falcão ia ser enquadrado na Lei Maria da Penha caso participasse da luta. Juliana Velasquez é uma atleta, capaz de se defender e de subir em um ringue. Caso ela tivesse aceitado participar da tal luta que não aconteceu, seu combate com Emerson Falcão, independente do resultado final, JAMAIS poderia ser comparado com uma situação de agressão doméstica. Quando uma mulher apanha do seu “companheiro” dentro de casa não há um acordo, não há regras, não existe uma relação desportiva, não existe nenhum acordo comum entre as partes. É absolutamente imbecil querer comparar as duas situações. Além de tudo, demonstra que as pessoas simplesmente não conseguem reconhecer nem mesmo quando há e quando não há relações de consentimento entre pares. Em boa parte, as situações de violência sofridas cotidianamente pelas mulheres são resultado direto dessa cultura que não tem capacidade de construir relações afetivas baseadas no consentimento e no respeito mútuo.

    Além disso, acho muito bizarro que a peça publicitária assuma automaticamente que, caso a luta acontecesse, a Juliana sairia na pior. Em nenhum momento a campanha abre a possibilidade do espectador imaginar uma possível vitória, ou ao menos um combate equilibrado entre os dois atletas. Não entendo muito dessas coisas, mas sei que a composição corporal dos homens e mulheres geralmente é diferente, e que em um possível combate inter-gêneros a divisão por peso talvez não fosse a melhor escolha. Não treino Muay Thai há muito tempo, mas nesses dois anos conheci muitas meninas incríveis, com um alto nível técnico que dava conta de vários marmanjos que treinavam com a gente. Sempre vejo por aí o pessoal que treina Jiu Jitsu falando que essa é uma ótima arte marcial para pessoal de pequeno porte físico, porque a sua prática está centrada na técnica e permite que pessoas pequenas possam vencer brutamontes através de treino e disciplina. Porque então seria tão impossível ver uma mulher vencer um cara aplicando uma chave dessas qualquer que o pessoal treina? Davi pode vencer Golias, mas Maria jamais venceria o gigante?

    As meninas que eu conheço que treinam qualquer arte marcial se sentem mais confiantes. Ficam mais seguras frente a possíveis situações de violência porque sabem que bem são mais fortes do que pensavam antes e até podem reagir frente a uma tentativa de estupro ou de agressão física. Inclusive para muitas mulheres que já sofreram esse tipo de violência, praticar alguma luta é quase que uma forma de se reconciliar com o mundo. Será que ver a Juliana Velasquez ou outra mulher encarando um cara no ringue não estimularia muitas de nós a começar a encarar nossos agressores de frente? Talvez ver uma mulher sendo forte pra caralho, encarando um cara de igual para igual poderia estimular que mulheres que passam por situações de violência (não consentidas, obviamente) começassem a se sentir tão fortes quanto a Juliana. O contragolpe contra o agressor não precisaria vir necessariamente na forma de um soco ou de um mata leão. As vezes, a expressão dessa força vem em forma de coragem para fazer uma denúncia e romper com o silêncio. Ora, muitas vezes as mulheres não tomam nenhuma atitude contra agressores simplesmente porque não acreditam que sejam capazes. Assumir automaticamente a derrota da Juliana não é uma boa forma de combater esse tipo de violência.

    Ainda que eu ache a situação interessante, com tudo isso eu não estou querendo dizer que eu sou necessariamente contra a separação de categorias femininas e masculinas no MMA ou outro esporte de combate qualquer. Ao contrário, acho importante a existência das ligas femininas, principalmente nos esportes onde o acesso das mulheres é tão complicado e desvalorizado. Aliás, a violência doméstica contra as mulheres está intimamente ligada a uma cultura que define o papel da mulher como objeto sexual e nunca como sujeita de seu próprio corpo. Uma excelente forma do pessoal do MMA combater esse panorama seria estimulando e valorizando mais as suas atletas incríveis, dando mais espaço para mostrar suas capacidades técnicas e sua força. Mas além da falta de incentivo, as lutadoras, bem como as atletas de praticamente todos os esportes, ainda tem que enfrentar o fato de que se valoriza mais a aparência física delas do que sua própria condição como competidora. E é isso, essa forma de tratar as mulheres como um objeto sexual a serviço dos homens, que é responsável pela violência que sofremos em casa ou nas ruas.

    Na moral, enquanto as grandes personagens femininas do MMA forem as Ring Girls e não as lutadoras, não tem campanha que aguente.

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