Carlos Gracie Jr. faz o balanço de 18 anos de Mundiais de Jiu-Jitsu

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Mestre Carlos Gracie Jr. Foto Divulgacao GB

Mestre Carlos Gracie Jr ensinando. Foto: Divulgação/Gracie Barra

Antes de dar um mergulho em Laguna Beach, na Califa, mestre Carlos Gracie Junior sobe em ritmo constante 150 degraus de uma escadaria interminável. Repete o exercício dez vezes, algumas em trote acelerado. A mesma consistência, saúde e esforço o faixa-coral mantém à frente da IBJJF, a federação internacional que organiza o Mundial de Jiu-Jitsu criado por ele em 1996, no Rio, e que começa nesta quinta, em Long Beach. Após furar umas ondas com o mestre, e com as panturrilhas latejando, o repórter bateu um papo sobre a trajetória dos Mundiais até aqui.

GRACIEMAG: São 18 Mundiais de Jiu-Jitsu. Qual é o balanço até aqui, Carlinhos?

CARLOS GRACIE JR: O Mundial nasceu de uma semente que plantamos anos antes, na realidade. A gente tinha um desafio grande de organizar campeonatos de Jiu-Jitsu de forma consistente, já que até 1994 só existiam os Estaduais no Rio de Janeiro, organizados pelo grande mestre Francisco Mansur com o tio Helio (Gracie).  Mas o campeonato ocorria de dois em dois anos, às vezes não tinha… Decidi então organizar o primeiro Brasileiro de Jiu-Jitsu, no que choveram críticas, pois o pessoal achava que o esporte era muito local, e questionavam se viria alguém de fora do Rio. Mas deu muito certo, com atletas de Manaus e várias cidades, e aí a ideia consolidou. Sempre gostei daquela coisa que via em outros esportes, de os atletas viajarem com suas equipes para competir, e aí idealizei o Pan em Irvine, Califórnia, no ano seguinte, em 1995. No meu tempo a gente ia no máximo lutar em Mogi Mirim, ou em Minas…. Era hora de o Jiu-Jitsu ter seu primeiro campeonato internacional.

E como foi o Pan?

Nos EUA existiam somente duas grandes academias com atletas com vontade de participar, a dos Machado e a do Joe Moreira. Eu trouxe 120 atletas do Brasil, e a distribuidora BR patrocinou as viagens. Aí a coisa toda aconteceu, e o Pan depois rodaria pela Califórnia, Flórida e Havaí. Daí eu percebi que era preciso criar um Campeonato Mundial. Em vez de esperar o esporte pegar no exterior, o Mundial ajudaria o esporte a crescer e se espalhar pelos quatro cantos do globo, e levar nossa arte da Idade da Pedra que vivíamos para a Idade Moderna. Ainda temos muito a caminhar.

Qual é a lição que fica com este sucesso dos Mundiais?

Que você deve lutar pela realização do seu sonho, pois se você não fizer ninguém mais vai fazer. O Mundial não nasceu como disputa de um país contra outro, como no futebol, e sim como uma competição para as melhores academias do planeta participarem. Tudo, vale dizer, foi idealizado para o benefício dos praticantes, para que o Jiu-Jitsu se espalhasse e ajudasse mais pessoas. Ignorei empecilhos, negatividade, ciúmes, e hoje verificamos que o Mundial e a IBJJF ajudaram de fato a construir a história dos grandes expoentes do Jiu-Jitsu. Daqui a cem anos, todos esses campeões ainda serão lembrados, como um Kimura. E os lutadores que um dia optaram por não competir vão se lamuriar, pois não serão exaltados como os seus pares.

E os próximos 18 anos, Carlinhos? O futuro do esporte ruma para onde?

Os próximos anos serão voltados para o profissionalismo. A partir desse nosso ranking do Jiu-Jitsu, recém-criado, pouco a pouco vamos procurar fortalecer a carreira profissional dos atletas da elite, para que eles possam ganhar bem como competidores. Mas o sustento precisa ser inteligente, autossuficiente. Não adianta buscar um patrocinador grande que depois cansa e some. O esporte vai pagar bem quando houver uma dezena de milhares, milhões de praticantes conhecedores das técnicas, amantes do esporte, disposto a assisti-los lutar. É o público que vai pagar bem aos atletas. O caminho é esse, e meu trabalho será esse, abrir academias, montar campeonatos e divulgar o esporte na revista para que o Jiu-Jitsu seja praticado em todo planeta. É um trabalho de formiguinha, pode durar 20, cem anos, mas não tenho pressa.

O que diverte mais você durante um Mundial?

É uma grande festa, todos revêem os velhos amigos, conversam. Eu gosto de ver as lutas boas, em qualquer faixa. Também gosto quando surge uma surpresa, um cara que ninguém conhece e vence os mais renomados.

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