Veja por que o Brasileiro foi “um dos melhores torneios” da vida de Luanna Alzuguir

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Luanna Alzuguir pressiona no Brasileiro em Barueri, São Paulo. Foto: Rafael Carvalho/ GRACIEMAG

Campeã no peso médio e no absoluto no Brasileiro de Jiu-Jitsu 2013, em Barueri, São Paulo, Luanna Alzuguir (Alliance) precisou enfrentar fantasmas ainda maiores que as oponentes do fim de semana passado.

Primeiro, tratou de espantar o abatimento, após sair do WPJJC em Abu Dhabi com a medalha de prata na categoria e o bronze no absoluto.

Depois de alguns ajustes nos treinos, no entanto, voltou para casa com o tetracampeonato na faixa-preta. E em grande estilo, com direito a um armlock em Michelle Nicolini na final do aberto. “Eu e a Michelle lutamos desde 2005 e nunca tinha havido nenhuma finalização, de nenhum dos lados”, lembra Luanna.

Veja o que mais ela conquistou e aprendeu, em bate-papo com GRACIEMAG:

GRACIEMAG: Será que nesse Brasileirão da CBJJ você conseguiu a atuação perfeita, Luanna?

LUANNA ALZUGUIR: Olha, esse Brasileiro foi um dos melhores torneios da minha carreira! Não digo isso por conta do resultado, mas pelo clima da competição, e como me senti durante o evento. O nível do campeonato estava altíssimo e, no absoluto, todas as três lutas que fiz foram contra meninas que são ou já foram campeãs mundiais na faixa-preta. Disputar um título assim é sempre motivador.

Você sentiu que era de fato o seu dia desde o começo?

No início me senti travada, mas consegui evoluir bastante de uma luta para outra. Fui criando confiança e ficando mais à vontade para soltar o jogo. Muitas coisas mudaram depois da seletiva de Gramado, em março. Na preparação física, passei a fazer mais tempo de drill. Também comecei a dar menos aulas. Mas sem dúvidas o mais importante foi a mudança na maneira de pensar. Tentei competir com o maior prazer possível e sem cobranças, e deu certo!

O que aprendeu ao deixar o ouro escapar no WPJJC de Abu Dhabi, em abril?

Essa derrota mudou muitas coisas para mim. Sinto que entrei em uma nova fase e estou aprendendo bastante com tudo isso. Ouvi um comentário interessante depois da derrota que tive em Abu Dhabi e isso me marcou: “Difícil não é chegar no topo nem se manter nele, duro mesmo é estar no topo, cair e voltar a ficar no topo”. Mais do que nunca eu quis me superar e voltar a vencer.

O que você acha que fez de diferente das outras atletas para levar o peso e o absoluto?

Hoje em dia as competidoras de alto nível se preparam muito bem, tanto tecnicamente quanto fisicamente e o diferencial acaba vindo de dentro da gente. É a maneira de pensar, a vontade de lutar e a motivação. Isso estava aflorado dentro de mim e sem dúvidas fez a diferença. Além disso, tenho o Fabio Gurgel como treinador, o Luciano Casquinha trabalhando meu psicológico, a Andresa Correa como parceira de treino e grande companheira, a Alliance como equipe e a torcida da minha família. Tudo acaba fazendo diferença.

Como você revê a luta com a Michelle Nicolini na final do absoluto no Brasileiro?

A Michelle é uma atleta que respeito muito, eu sempre torço para cair do outro lado da chave dela (risos). É experiente, técnica e cheia de botes perigosos. Nossas lutas são sempre disputadas, e nessa luta impus meu jogo o tempo todo e como conheço bem o jogo dela, tentei anular o que ela faz de melhor. A estratégia deu certo e acabei ficando na frente o tempo todo. Ao soltar meu jogo e buscar a finalização acabei pontuando bastante. Foi uma luta onde errei pouco e me preocupei bastante em anular o jogo dela, assim seria possível ficar na frente em termos de movimentação o tempo todo. Para não dar bobeira para os botes fulminantes dela, procurei lutar sempre controlando bem o corpo dela, sem dar espaços. Eu e a Michelle lutamos desde 2005 e nunca houve nenhuma finalização, de nenhum dos lados. As lutas sempre foram muito disputadas e resolvidas no detalhe. Dessa vez, conforme eu ia evoluindo na luta, mais acreditava que seria possível chegar na finalização. Usei o armlock da montada alta e funcionou. É um golpe que aprendi e ajustei com o Murilo Santana, em 2008, depois de perder a semifinal do absoluto do Brasileiro para a Luzia (Fernandes), onde tive a oportunidade de finalizar com esse mesmo golpe e perdi.

Na final do médio você enfrentou Barbara Gomes e chegou até pegar as costas, mas não finalizou. O que faltou?

A Barbara é forte e é o tipo de pessoa que briga até o final. Fiz o que pude para aproveitar o momento e finalizar, mas ela resistiu e saiu do golpe. Não sei direito o que errei naquele momento, mas essa semana o primeiro treino que fiz foi um especifico de costas (risos). Repetição é o segredo para ganhar confiança.

Agora quantos títulos brasileiros você soma na faixa-preta?

São quatro na faixa-preta, e no total contando com todas as faixas são sete. Foi meu primeiro absoluto no Brasileiro de faixa-preta e esse era o único titulo que faltava na carreira. Fico feliz por ter conquistado isso durante esses anos de faixa-preta. Unifiquei todos os títulos do nosso esporte no peso e no absoluto. É o resultado do comprometimento que tenho com a minha profissão e com os meus sonhos.

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There are 8 comments for this article
  1. Ana Carolina Vieira at 2:41 am

    Luanna é sinistra demais.. sou fã! Tomara que ela chegue nesse ritmo no mundial e leve peso e absoluto! Vou estar na torcida!

  2. Maria Amelia Theodoro at 3:11 am

    ESSE SEU 360 FOI DEMAIS!!! DETERMINAÇÃO, DEDICAÇÃO, DOMÍNIO, DELICADEZA COM VOCÊ MESMA. FOI EM BUSCA DA VITÓRIA, COM A CONDIÇÃO DE SER A MELHOR PARA COM VOCÊ. ISSO FAZ COM QUE OS OLHARES SEJAM VOLTADOS PARA ONDE DE FATO SEJA MERECEDOR. A VISÃO DO QUASE PERFEITO, FAZ DE VOCÊ INSPIRAÇÃO, MOTIVAÇÃO, ADMIRAÇÃO, UM MEIO, UM CAMINHO. EXISTEM ALGUMAS VERDADES, MAIS HOJE A SUA É A QUE BRILHA.
    E QUEM TEM BRILHO É QUEM PODE SERVIR DE GUIA.

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