UFC São Paulo ainda ecoa, com polêmica entre Wallid Ismail e Murilo

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Iuri Marajó vs Pedro Nobre no UFC SP. Foto: UFC/Divulgação

Iuri Marajó vs Pedro Nobre no UFC SP. Foto: UFC/Divulgação

Uma discussão fora do octógono se instaurou após o UFC São Paulo, realizado no dia 19 de janeiro, no Ginásio do Ibirapuera. Após uma polêmica decisão dos árbitros em declarar a luta entre Iuri Marajó e Pedro Nobre como “no contest”, após Marajó castigar Pedro com golpes pelas costas, seus empresários Wallid Ismail e Murilo Bustamante, respectivamente, trocaram farpas pela imprensa.

Ex-companheiros de treinos na academia Carlson Gracie no Rio, na década de 1990, Wallid e Murilo divergiram em opiniões sobre a luta e cada um falou o que podia, da maneira que queria.

O primeiro foi Wallid que, em entrevista ao programa “Mundo da Luta”, na rádio Beat 98FM, condenou um dia após a luta a atitude de Pedro, usando uma declaração de Dana White no Twitter como arma.

“Eu vi a luta três vezes, não tem o que falar. Pedrinho é um bom garoto, e quero que ele continue bem na carreira, mas foi um tiro no pé. Até o Dana White falou que o Pedro deveria ganhar um prêmio pela atuação”, disse o presidente do Jungle Fight.

“Espero que o Murilo veja isso direito. Acredito que hoje, vendo o replay, ele não esteja defendendo o atleta como estava ontem. Você sabe quando o cara esta de ‘migué’. Fiquei com vergonha do Pedro”, disparou Wallid.

Murilo, por sua vez, divulgou ontem uma carta aberta à imprensa onde afirma que seu atleta não teve intenção de simular uma contusão maior para encerrar a luta, além de explicar o motivo pelo qual ele, Bustamante, entrou no octagon após a paralisação do embate.

“O árbitro (o americano Dan Miragliotta) e pediu para eu perguntar ao Pedro (em português) se ele estava bem, e ele apenas fez uma expressão de dor. Depois disso, o médico olhou para o árbitro e eles decidiram encerrar a luta”, justificou Murilo.

Bustamante falou sobre as declarações de Wallid, classificando como “extrema falta de ética e profissionalismo”, além de nominá-lo como “covarde”. Ele acrescentou que seus atletas da BTT não participam do Jungle Fight, evento de Wallid, por não compactuar com os “princípios morais” do organizador.

Após esta carta do chefe da BTT, Wallid divulgou, por meio de sua assessoria de imprensa, um comunicado, onde deixa claro não ter problemas com Bustamante, mas discorda sobre a opinião dele sobre o Jungle Fight.

“Sobre o que ele fala dos grandes atletas não lutarem no Jungle Fight, isso não tem o menor cabimento. Quem acompanha a modalidade sabe que boa parte dos grandes lutadores, muitos de sucesso internacional, passaram e começaram a gravar seus nomes no MMA a partir do Jungle Fight”, afirmou Wallid.

Confira, a seguir, as declarações de Wallid Ismail e Murilo Bustamante na íntegra.

Carta aberta de Murilo Bustamante:

“Em primeiro lugar é importante deixar claro que o propósito dessa nota é esclarecer de uma vez por todas que em nenhum momento o meu atleta Pedro Nobre pediu para encerrar sua luta contra Yuri Marajó, no UFC São Paulo, do último sábado. A luta só foi interrompida por uma ordem do médico e do juiz do combate.

“Após paralisar a luta, o juiz me perguntou se eu poderia servir de intérprete para o meu lutador e me pediu para entrar no octógono. Assim o fiz e, quando me aproximei do Pedro, vi que ele estava deitado de bruços e reclamando de dor com a mão na nuca.

“O juiz me pediu para perguntar para o Pedro o que ele estava sentindo e ele apenas fez uma expressão de dor. O juiz insistiu, eu perguntei novamente e o Pedrinho disse que estava com muita dor na cabeça. Após essa declaração o médico olhou para o juiz e disse que a luta estava interrompida. Nesse momento, eu ainda fiquei em dúvida se a luta seria reiniciada, mas o médico deixou claro para todos que isso não iria acontecer e que a luta estava terminada. Logo em seguida, o Pedro foi retirado do octógono.

“Em nenhum momento nem eu, nem o Pedrinho, nem ninguém da BTT pediu para que a luta fosse interrompida ou reclamamos de golpes ilegais do Yuri. Em nenhum momento cobramos uma punição para o Yuri ou pedimos para a luta ser cancelada, muito menos que o resultado fosse a favor do atleta da BTT.

“Ninguém nos perguntou se o Pedrinho poderia voltar a lutar. Acatamos a decisão do juiz, do médico e do evento. Nossa única preocupação era quanto à saúde do nosso atleta.

“O juiz e o médico são profissionais gabaritados e experientes. Certamente agiram de forma acertada dentro da visão profissional de cada um deles. O juiz achou que havia tido golpes ilegais e paralisou a luta chamando o médico, que por sua vez viu o atleta no chão reclamando de fortes dores na cabeça e optou por cancelar o combate.

“A posição da BTT compactua com a do médico e do juiz. Também achamos que o Pedro recebeu golpes na nuca que não ficaram claros no replay por causa do posicionamento das câmeras.

“Deixamos claro que temos certeza que o Yuri não teve culpa nenhuma nesse caso e que tudo não passou de um acidente. O Yuri é um excelente lutador e um atleta exemplar. Portou-se ao final da luta com muita classe, diferente do seu agente.

“Sobre a entrevista de Wallid Ismail: foi de extrema falta de ética e profissionalismo, porque não dizer um covarde, ao criticar ofensivamente um jovem atleta, em princípio de carreira no UFC e ainda por cima brasileiro. Não teve a menor consideração e respeito por ele. Além de não respeitar as decisões tomadas pelo árbitro e o médico do UFC.

“O Pedro, assim como todos os outros atletas da BTT e das grandes equipes de MMA do Brasil, se recusa a participar do Jungle Fight por não compactuar com os mesmos princípios morais do proprietário do evento – o Wallid -, que nunca foi e nunca será uma referência em nosso esporte, pelo simples fato que ele não saber o significado das palavras ética e moral.

“Por isso, fica clara a revolta deste cidadão contra os atletas da BTT.

“O Pedro Nobre que já deu provas de sua coragem e valentia dentro dos ringues, passando por diversos momentos difíceis em suas lutas profissionais. Tomando knock downs em algumas delas, as quais na maioria das vezes conseguiu vencer posteriormente. Na própria luta contra o Iuri Marajó ele passou por um momento complicado quando foi pego numa americana e, com muita raça, conseguiu sair e seguir na batalha. Muitos ali teriam desistido.

“É um atleta que todos que gostam de MMA o conhecem muito bem. Que no último dia 9 de dezembro venceu duas lutas no GP do Bitetti Combat, um evento sério, gerido por um grande mestre que é o Amaury Bitetti, onde nos dois confrontos passou por momentos difíceis, pois seus adversários eram muito bons, mas que se sagrou campeão com um ótimo KO contra um atleta duríssimo na final.

“Por isso é que não poderia ficar calado após ouvir e ler nos últimos dias tantas injustiças sendo ditas sobre um atleta de alto nível e uma pessoa íntegra como é o Pedro Nobre. Jamais irei aceitar qualquer colocação equivocada ou ofensas a ele ou qualquer outro atleta da Brazilian Top Team.”

 

Resposta de Wallid Ismail, via assessoria:

“Em primeiro lugar, gostaria de deixar bem claro que não tenho nada contra o Murilo Bustamante, apesar de não concordar com a forma que ele gerencia seus negócios.

“Em momento nenhum houve desrespeito da minha parte à decisão do árbitro e/ou do médico do UFC.  O que houve foi discordância, algo completamente comum no mundo da luta e em qualquer outro esporte. Inclusive, o próprio Dana White, presidente do UFC, também teve a mesma visão que a minha e pagou o bônus de vitória para o Iuri. Além disso, o Joe Silva por também não concordar com a decisão, tentou alterar o resultado para vitória do Iuri.

“Sobre a questão em que ele fala dos grandes atletas não lutarem no Jungle Fight, isso não faz o menor cabimento. Quem acompanha a modalidade sabe que boa parte dos grandes lutadores, muitos de sucesso internacional, passaram e começaram a gravar seus nomes no esporte no Jungle Fight. Em torno de 60 lutadores que já passaram pelo UFC já lutaram no Jungle. Não é a toa que temos o maior evento de MMA da América Latina.

“Graças a Deus continuo muito tranquilo em relação a minha ética e moral. Essas são duas das qualidades que me fazem ter grandes amigos, tanto dentro quanto fora do meio da luta, e ter conseguido chegar onde estou hoje, me tornando uma referência no esporte. A lealdade é o principal pilar da ética e moral e, sem duvida, a lealdade que tive com meu mestre Carson Gracie é referencia até hoje em todo o meio da luta. Por essa razão eu consigo colocar todos os dias a minha cabeça sobre o travesseiro e dormir sossegado. Recebo elogios diariamente de fãs e lutadores de MMA sobre o meu grande objetivo de popularizar a modalidade, de dar oportunidades para jovens lutadores e pelo meu caráter em geral. Isso é muito gratificante para mim e não vai ser um comentário negativo que irá me abalar.

“Sobre o Pedro Nobre, acho que é um garoto com um futuro imenso pela frente, muito talentoso e que merece sim uma segunda chance no UFC. Apenas não concordei com sua atitude naquele momento e continuo não concordando. Mas não vou julgá-lo por um fato isolado. Tenho certeza que ele vai amadurecer bastante com o ocorrido e irá voltar bem mais forte’’.

 

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There are 7 comments for this article
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  2. Gabriel Peixoto at 4:28 pm

    Concordo com o que ele disse sobre a lealdade ser uns dos pilares da moral e da ética. Ele foi um dos únicos atletas de ponta que não abandonou o mestre Carlson Gracie, na época do boom no MMA, até o senhor Vítor Belfort que era cria do mestre, o abandonou.

  3. DiPipe Luciano Júnior at 5:52 pm

    Mais facil tir ar a regra de golpes na nuca, se sempre que alguem sofrer esses golpes as pessoas se revoltarem pelo fim da luta e culparem quem sofreu os golpes.
    E a unica regra aonde as pessoas cometem a infracao e saem como heroiss e quem sofre sai como vilao.

  4. Rafael Andrade at 2:37 pm

    Concordo sem dúvida com o Wallid, mostrou toda ética, caráter e lealdade ao não abandonar o grande mestre Carlson. Enquanto vários outros deram as costas para quem o fez tudo. Sem dúvida ele tem minha admiração e respeito.

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