Ronaldo Jacaré e a chegada ao UFC: “O frio na barriga é o mesmo dos tempos do Jiu-Jitsu”

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Ronaldo jacaré comemora a vitória no Strikeforce. Foto: Esther Lin/Forza LCC via Getty Images

Jacaré comemora a vitória no Strikeforce, em Oklahoma. Foto: Esther Lin/Forza LCC via Getty Images

O astro do Jiu-Jitsu Ronaldo “Jacaré” Souza celebra em 2013 dez anos exatos como atleta de MMA, desde a estreia cheia de garra no Jungle Fight 1, no Amazonas.

E o presente não podia ser mais apropriado: uma vaga no UFC, o maior evento da modalidade. Na noite dessa terça, o repórter Ariel Helwani confirmou no programa “UFC Tonight” que Jacaré, assim como Roger Gracie, o campeão até 84kg Luke Rockhold, Adriano Martins, Ryan Couture, Nate Marquardt e diversos atletas do Strikeforce vão lutar no octagon em 2013.

Curtindo férias em Belém do Pará, Jacaré falou ao GRACIEMAG.com sobre o UFC e sobre a última vitória, conquistada no dia 12 de janeiro, sobre Ed Herman, com uma kimura ainda no primeiro assalto. “O mais legal do golpe é que qualquer faixa-branca pode aplicar, o único diferencial são os anos de treino para ajustar e adaptar a técnica ao seu físico”, ensinou o bicampeão mundial absoluto (2004/05).

GRACIEMAG.com: Você hoje é um astro experiente, confiante e com um jogo de MMA do mais alto nível. Ainda assim, vai rolar alguma tensão quando você cruzar aquele portão gradeado do octagon?

RONALDO JACARÉ: Por enquanto, não senti tensão alguma. Só felicidade mesmo. Estar lutando no maior evento de MMA do mundo é uma felicidade muito grande. Tensão eu só sinto ali na hora, antes de lutar. O frio na barriga que eu tenho a caminho do cercado é o mesmo dos tempos de Jiu-Jitsu. É o mesmo sentimento. Mas como eu gosto de sentir aquela adrenalina. Fico amarradão!

Uma década no esporte, com 21 lutas de MMA, 17 vitórias e 13 finalizações. O que mudou no seu Jiu-Jitsu de 2003 para cá?

Mudou bastante. É muito complicado simplesmente transportar seu Jiu-Jitsu de competição para o jogo de MMA. E eu aprendi isso ao longo do tempo. Os caras se defendem muito bem, esc0rregam e a luta complica às vezes. É muito diferente o jogo de kimono e o Jiu-Jitsu usado no MMA. A minha evolução continua constante, e o único segredo é muito treino.

Como você se vê na categoria até 84kg, agora no UFC? No nosso Facebook, o povo já quer ver você contra os melhores, Weidman, Anderson…

Calma, eu acho que estou lá embaixo na categoria. Cheguei agora, e tenho de subir degrau por degrau para chegar entre os dez melhores do meu peso. Quero conquistar meu espaço aos poucos, e para isso vou dar o meu máximo. Sinto que estou numa evolução muito grande e vou chegar lá.

Há alguém que você gostaria de enfrentar? Há alguém que seja uma inspiração para você no UFC?

Eu não escolho adversários. Fica na responsabilidade dos matchmakers do UFC agora. Eu admiro os atletas que lutam para frente. Sou fã do Minotauro, por exemplo. Independentemente do que aconteça numa luta, ganhando ou perdendo, sou muito fã dele. Ele é um ícone da luta e do Jiu-Jitsu, e é gratificante para nós brasileiros ter um cara assim nos representando.

Você disse que queria terminar no Strikeforce finalizando e conseguiu. Qual a sensação?

Missão cumprida, né. Entrei no Strikeforce finalizando e sábado saí finalizando. Foi uma alegria imensa, pois o Jiu-Jitsu chegou comigo e eu saí aplicando ele de novo. Mas olha, eu não mostrei tudo que eu tenho ainda. Sempre dou o meu melhor, mas eu ainda não mostrei tudo que eu tenho pra dar, não.

E qual o segredo daquela kimura tão justa que você aplicou no Ed Herman?

O mais legal é que aquela kimura é um golpe que eu posso dar e que o faixa-branca pode dar também. O único diferencial é treiná-lo, estudar a técnica todo dia. Tirando isso, cada um tem um tamanho diferente, uma força diferente. Você tem de treinar sempre, para adaptar a chave ao seu corpo. Você pode comparar a mesma chave com todos os lutadores de Jiu-Jitsu do mundo, e talvez cada lutador faça com um detalhezinho diferente. E para todos funciona.

Para encerrar, Jaca. Já tem leitor da GRACIEMAG pedindo para você lutar logo com o Sonnen, e ensiná-lo a falar bem do Jiu-Jitsu…

Legal, fico agradecido pela lembrança dos leitores, mas isso o Demian Maia já fez, né? Ensinou a ele a pressão no triângulo, no pescoço e no braço. O Sonnen já aprendeu, deixa ele.

 

Strikeforce: Marquardt vs Saffiedine
Chesapeake Energy Arena, Oklahoma City, Oklahoma
12 de janeiro de 2013

Tarec Saffiedine venceu Nate Marquardt na decisão unânime dos jurados

Daniel Cormier venceu Dion Staring por nocaute técnico a 4min02s do R2

Josh Barnett finalizou Nandor Guelmino no katagatame da montada aos 2min11s do R1

Gegard Mousasi finalizou Mike Kyle no estrangulamento pelas costas aos 4min09s do R1

Ronaldo Jacaré finalizou Ed Herman na kimura aos 4min38s do R1

Ryan Couture venceu KJ Noons na decisão dividida dos jurados

Tim Kennedy finalizou Trevor Smith na guilhotina a 1min36s do R3

Pat Healy venceu Kurt Holobaugh na decisão unânime dos jurados

Roger Gracie finalizou Anthony Smith aos 3min16s do R2

Adriano Martins venceu Jorge Gurgel na decisão unânime

Estevan Payan venceu Michael Bravo por nocaute técnico aos 4min01s do R2

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