Caio Terra compara Jeff Glover a Sonnen: “Vou estar ligado nas brincadeiras dele”

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Caio Terra faz guarda contra Jeff Glover, na Jiu-Jitsu Expo de maio, na Califórnia. Foto: John Cooper

Caio Terra faz guarda contra Jeff Glover, na Jiu-Jitsu Expo de maio, na Califórnia. Foto: John Cooper

GRACIEMAG: No próximo dia 14, no Metamoris Pro em San Diego, vocês fazem uma das superlutas mais aguardadas, por serem dois pesos leves dotados de um jogo ágil e finalizador. Que perigos Jeff Glover oferece a você numa luta sem ponto nem vantagem?

CAIO TERRA: O Jeff é um cara que joga para surpreender. Ele faz o mais improvável. Dei mole na última vez, na superluta da World Jiu-Jitsu Expo 2012, achei que a luta estava ganha e entrei no jogo dele. Relaxei demais, mas desta vez vou entrar bem mais sério. Vou lutar para dar um show para os espectadores, claro, mas vou estar mais ligado nas brincadeiras dele.

 O preparo físico pode fazer a diferença numa luta de 20 minutos, entre caras de altíssimo nível técnico. Como você está se preparando?

Estou fazendo minha preparação física com o Corey Beasley, um dos melhores personal trainers da Califórnia. Não gosto muito de levantar peso então estou só puxando o gás mesmo. Três vezes por semana eu faço movimentos rápidos e um trabalho com cordas e com o equipamento Versa Climber, que puxa bastante o gás e trabalha o batimento cardíaco no limite. É como subir escadas com as mãos sempre para o alto – o coração é obrigado a trabalhar mais para mandar sangue para o corpo todo, já que seus braços não estão relaxados e ainda estão elevados, dificultando que o sangue chegue nas mãos. Intercalo isso com um trabalho de cordas onde trabalho as pegadas e mantenho os batimentos lá no alto, é um treino excelente. Já meus treinos de Jiu-Jitsu foram programados pelo Itallo Vilardo, famoso entre os competidores no Brasil. O Itallo entende muito de preparação para Jiu-Jitsu, pois é uma fera na área e é faixa-preta também.

No começo da última luta entre vocês, na Jiu-Jitsu Expo, ele virou de costas para você. Ficou alguma rusga ainda entre vocês?

De jeito nenhum, na verdade para aquela luta eu estava treinando com meu amigo Denny Prokopos e ele já tinha me alertado que ele poderia mais uma vez fazer isso. O Jeff por vezes acaba desrespeitando os adversários com algumas brincadeiras, mas eu acho que ele é um cara bom para promover o esporte, principalmente em lutas casadas. Tem gente que ama o cara, quer assistir a todas as lutas dele e isso é bom. Também tem gente que o odeia, mas esses também querem ver suas lutas, mesmo que seja apenas para torcer contra. Ele sem dúvida atrai público.

Ele disse que, com essas regras, você não tem chance de vencê-lo…

Maluquice dele. Olha, essas regras podem até favorecer o estilo dele, que é um cara bem flexível e por isso difícil de pegar. O que ele não deve ter feito é visto minhas lutas. Vi algumas dele, e raramente ele é finalizado. Mas quantos caras me finalizaram?! Luto quase dez eventos por ano, e sempre escolho os mais difíceis. Mas o Jeff é assim mesmo, um cara engraçado, me lembra muito o Chael Sonnen. Só tem que tomar cuidado para não acabar acreditando nas besteiras que fala, senão vai acabar maluco igual o Chael. Olha, essas regras também favorecem meu Jiu-Jitsu, e assim como em nossa primeira luta acredito que conseguirei dominá-lo do começo ao fim. Vou estar mais atento.

Você está com 60kg, então há uma diferença entre vocês de quase 15kg. O peso vai fazer diferença? A técnica pode vencer a balança mais facilmente numa luta de 20 minutos?

Lembro que a luta está marcada para 70kg, mas realmente ele pode pesar no dia anterior e recuperar os cinco quilos. Acho que até em um minuto o peso faz diferença. Mas a técnica deve sempre prevalecer contra a força e o peso. Jeff é um lutador técnico. Caso ele me vença, será provavelmente na técnica, não na força. A força pode até prevalecer sobre algumas técnicas, mas normalmente a vitória se dá pelo caminho técnico, quando um lutador explora um aspecto que o outro não está dominando perfeitamente. Gosto de lutar com os grandões para ver o que estou fazendo bem e o que preciso melhorar.

Qual é seu sentimento antes da luta? Alguma pressão ou ansiedade?

Não, quero apenas fazer uma boa luta e agradar a todos que vão prestigiar o evento. Esse evento pode ser o primeiro de muitos a ser realizados. Nós competidores precisamos de eventos como esse. Nosso esporte ainda está um pouco longe de se tornar profissional, mas essas iniciativas da IBJJF em começar a pagar (IBJJ Pro, em dezembro) e eventos de lutas casadas como o Metamoris podem acrescentar muito e desenvolver um novo método. Quem sabe um dia os atletas possam se dedicar apenas aos treinos, e a deixar seminários e aulas apenas para quando se aposentarem. Para que isso aconteça, precisamos nos apresentar bem e que o publico goste e apoie os próximos torneios.

O que te motiva realmente para lutar com caras mais pesados, os grandões como você diz?

Acho que como sempre fui o cara mais leve da academia, estou acostumado a treinar com caras mais pesados. Procuro mostrar especialmente aos alunos levinhos que o Jiu-Jitsu é a única arte marcial em que o mais fraco pode de fato vencer o mais forte e mais pesado, mesmo que o nível técnico entre eles seja parecido. Quando iniciante eu pensei muito em desistir, então gosto de inspirar o pessoal a continuar. Hoje você vê os irmãos Miyao e vários outros atletas mais leves ganhando absolutos, então acho importante representar bem os magrinhos.

Há algum segredo ou técnica especial para vencer caras 20 quilos mais pesado que você?

Não existe mágica, apenas estudo de posições e bastante treino. Muita gente quer sempre um atalho para melhorarem, mas é igual na escola, não tem caminho mais fácil. Você precisa estudar para passar de ano, trapacear não vai leva ninguém ao topo, e uma hora ou outra você será pego. Se você treinar consistentemente e estudar Jiu-Jitsu a fundo, a evolução vem. A única coisa certa é que ninguém vence caras mais pesado apenas por ficar mais forte. É a técnica que supera os oponentes.

Com quem você tem treinado Jiu-Jitsu para a luta com Glover?

Treino todos os dias com o Flavio Meier, faixa-preta que dá aulas na minha academia em San Jose. Ele tem um jogo muito parecido com o do Jeff. Também treino com meus alunos e a galera faixa-preta, como Augusto “Queixinho”, Samir Chantre, Leopoldo Serão, Sergio Santos, Jeff Gallioto, Carlos Melo etc. Alguns dos meus companheiros faixas-pretas não estão treinando comigo de pano porque estamos na temporada sem kimono aqui nos EUA, mas no geral meu camp tem sido muito produtivo. Queria aproveitar e agradecer a todos os meus alunos, pois o Jiu-Jitsu é um esporte individual, mas a vitória é do grupo, ninguém consegue vencer ninguém sozinho. Obrigado aos meus preparadores e à Gameness, à marca de roupas “Amerikaz” e à Versa Climber por toda ajuda.

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