Um estudo sobre MMA, tênis, Lyoto Machida, Roger Gracie e Federer

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Você já leu o que Roger Gracie acredita estar aprendendo com Lyoto Machida, aqui, em entrevista muito bem conduzida por nosso editor, o jornalista Marcelo Dunlop.

Mas e a visão do Lyoto?

Não deixei de ser escritor, mas como jornalista não atuo há bom tempo. Então quando apareci de supetão no treino da Black House em Gardena, Los Angeles, há uns dez dias, fui lá mais para assistir ao treino, junto do mestre de Jiu-Jitsu de Roger, Carlos Gracie Jr. Aqui vão minhas impressões de pitaqueiro, nesta não-entrevista.

A sessão foi bacana a ponto de Carlinhos se empolgar: “Por mim eu ficava aqui o dia inteiro vendo estes cascas-grossas se pegarem. É disso que eu gosto”, disse, com um sorriso no rosto enquanto Roger se enfiava na já tradicional banheira de gelos pós-treinos.

Lyoto não me conhece, ou talvez de nome, mas certamente não liga o nome à pessoa. Afinal, eu não cobria mais vale-tudo nos estádios quando ele começou a se destacar. Mas ele veio conversar com o Carlinhos sobre o Roger, e eu estava do lado.

Ele começou:

“Olha, ele é um monstro. O que ele faz com a gente no chão é brincadeira.”

Carlinhos ponderou:

“É, mas isto não é nenhum problema né? Afinal, ele faz também com os melhores faixas-pretas do mundo que estão 100% competindo Jiu-Jitsu”, disse, mostrando ao Lyoto que ele é uma fera também no chão, independentemente do que um treino com o Roger possa aparentar. (De fato, nem assistimos a um treino no chão, então pode ser que Lyoto estivesse apenas sendo gentil e respeitoso.)

Roger já havia comentado comigo sobre a movimentação das pernas de Lyoto e da imprevisibilidade, mas o “Dragão” destacou outro aspecto totalmente diferente:

Roger Gracie vs Roger Federer, por Lyoto Machida

“O que eu digo para ele o tempo todo é: cada vez que você dispara um golpe, o adversário tem que ser realmente agredido por este golpe. Não adianta só tocar”, disse o Dragão.

Neste momento, eu pesquei o ponto genial de Lyoto, e me intrometi:

“Feito uma partida de tênis, então? No altíssimo nível, se o outro não desce a mão, o jogador chega imediatamente para a frente. Daí fica fácil matar o ponto.”

Lyoto concordou e continuou: “Exato. O cara tem de ficar cabreiro contigo. Chegou junto, pum, soco na barriga”, exemplificou, gesticulando num chicote de direita, com direito a sonoplastia. E completou: “Se ele não sentir o golpe, perde o respeito. Para vencer, você precisa dominar a cabeça do adversário.”

Foi como Roger Federer em Wimbledon. Na semifinal, o suíço fez um jogo em que absurdamente aproveitou mais de 70% dos pontos do seu segundo saque para enfim desbancar o então número 1 do mundo Novak Djokovic. Confiante, em determinado momento da troca de bolas ele dava um passo à frente da linha de base, e matava o ponto com um agressivo forehand que encolhia cada vez mais o sérvio do outro lado da rede.

Então, Roger, mire-se no seu xará de mesma idade, e imponha respeito no ringue, como aconselha o excelente treinador de Belém do Pará, Lyoto Machida.

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