Em homenagem aos azuis, o que você precisa saber no Jiu-Jitsu básico

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Faixa-azul Jiu Jitsu Regis Chen

A faixa-azul, o futuro do Jiu-Jitsu. Foto: Regis Chen/GRACIEMAG

No Mundial de Jiu-Jitsu 2012, que termina neste domingo em Long Beach, Califórnia, alguns faixas-azuis cumpriram seus objetivos de, com paciência e muita determinação, escalar até o sonhado topo da categoria.

No absoluto azul, masculino e feminino, Pedro Lucas Araújo (Gracie Barra) e Monique Elias (Alliance) foram os grandes campeões. São os melhores faixas-azuis do mundo hoje.

Estão um pouco acima de outras feras, como o prata Ali Seena Munfaradi (Alliance) e os bronzes Paulo Henrique Silva (Nova União) e Jared Lynn Dopp (Ribeiro JJ), no masculino; e a medalhista de prata Julia Forrester (Alliance) e as donas do bronze Erica Plummer (Lotus Club) e Ana Carolina Vieira (GF Team), irmã de Rodolfo Vieira.

Em homenagem a eles, e a você que é faixa-azul, o seu site favorito de ensinamentos de Jiu-Jitsu abriu o baú e garimpou uma reportagem de agosto de 2009 – um dossiê com tudo que você precisa saber para passar da azul para a roxa.

O artigo traz uma série de posições e macetes ilustrados em imagens detalhadas, completinho. Aqui, separamos apenas os melhores momentos do texto, com alguns vídeos que podem ajudá-lo.

Ricardo “Cachorrão” Almeida – Líder da RABJJ, em Nova Jersey

“Se eu tiver que apontar os três erros mais comuns dos faixas-azuis, a primeira com certeza será a postura. Eles são pegos diversas vezes no triângulo ou são raspados por estar com a postura errada. Para corrigir isso, meus alunos aprendem a abrir a guarda de pé e a passar a guarda emborcando o adversário. O segundo erro é a pegada das costas. Vejo os faixas-azuis perderem a posição por tentarem colocar os dois ganchos de uma vez. A correção disso é puxar o adversário para cima deles e colocar um gancho de cada vez. E o terceiro erro é o uso da força durante o combate. Pela inexperiência, eles tendem a dar preferência ao uso da força sobre a técnica, o que pode causar contusões. Para corrigir, nos mais jovens, o tempo e a experiência consertam a falha na maioria das vezes. Já entre os praticantes mais velhos, deixo claro que apenas tomando amasso nos treinos é que se corrigem os erros.”

Milton Regis – Líder da Kioto BJJ, em Sayville, NY

“Na faixa-azul, a confiança é algo a ser trabalhado e precisa ser exercitada como um movimento novo, e tanto pelo aluno como pelo professor. É tarefa do professor identificar quem são os alunos que estão a ponto de desistir. Como ajudar esse aluno? Oferecendo uma atenção especial, corrigindo detalhes, motivando toda vez que ele acertar algo, ainda que seja uma pequena evolução. Outra ideia é sugerir aulas privadas, e não forçar a participar de campeonatos se não for esse o objetivo do aluno. O praticante deve saber que uma eventual falta de fundamentos técnicos, se não for corrigida na faixa-azul, será muito difícil de ser sanada depois”.

http://www.youtube.com/watch?v=7cDaa2i04CU

Paulo Tavares – Líder da Paulo Tavares Academy, na Austrália

“Quando por baixo, montado, um bom lutador nunca estica o braço nem dá as costas para escapar. Mantém a cabeça no chão e os cotovelos colados ao corpo. Isso grande mestre Helio Gracie já dizia. E gosto também de trabalhar o lado emocional dos lutadores. Aqui na academia, gosto de dizer que todos somos campeões. Ano passado, levei meus alunos para competir e, pelo pouco tempo, eu iria voltar feliz se eles não fossem finalizados, mas para a minha surpresa, os oito que competiram foram campeões.”

Sérgio Correa – Líder do time Marra Senki

“Quando se fala em erros dos faixas-azuis, penso primeiro em controle de posição, depois em variação de posições, como por exemplo a variação entre estrangulamentos e chaves de braço e por último a insistência no erro, que só termina com muito treino específico.”

João Pedro Santos – Líder da Choke Academy, na Escandinávia

“Primeiro, falemos do estrangulamento da gola cruzada. Os faixas-azuis se precipitam e gastam força ao apertar antes de ajustar as pegadas, ou apertam abrindo os cotovelos. Para corrigir, os pulsos têm que ficar em contato com o pescoço na hora do ajuste e os cotovelos próximos um do outro enquanto a pressão no pescoço é feita com os pulsos. Na guarda, o erro está na postura. Os faixas-azuis se inclinam para frente ou para um dos lados, facilitando o ataque de quem está por baixo. E quando estão por baixo, não se preocupam em quebrar a postura do adversário antes de iniciar os ataques, o que facilita a passagem de guarda. Para resolver, se por cima, uma postura ereta dificulta para o adversário. Por baixo, deve-se ter claro que a postura do que está por cima deve ser quebrada. Por último, vejo que muitos faixas-azuis compram DVDs e livros de grandes estrelas do Jiu-Jitsu, mas por falta de experiência não conseguem discernir o que é realmente importante. No caso, o melhor é primeiro aprender os fundamentos antes de querer se especializar.”

Vinícius “Draculino” Magalhães – Líder da GB Texas

“A faixa-azul é o momento mais complicado da caminhada dentro do Jiu-Jitsu. Vemos uma grande discrepância técnica entre os atletas, já que encontramos desde aquele que acabou de ganhar a faixa até aquele que endurece com os mais graduados. Tecnicamente, porém, aponto a fraqueza na defesa contra finalizações, a falta no ajuste do posicionamento e a demora para captar os erros do adversário.”

Demetrius Ramos – Líder da Tucson BJJ, no Arizona

“Os faixas-azuis não têm uma boa base em pé. Para melhorar, precisam treinar mais técnicas do jogo em pé, além de outras opções como puxar para guarda. Outro problema é o desconhecimento das regras. Para isso, basta estudar as regras da IBJJF e participar de cursos de arbitragens. Por último, os azuis cansam rápido, principalmente nos grandes eventos. Para melhorar, deve-se acostumar a treinar mesmo estando cansado.”

http://www.youtube.com/watch?v=1lARD3JN1dE

Rafael Lovato Jr – Líder do Lovato Jiu-Jitsu, em Oklahoma

“É difícil ser específico, pois o faixa-azul ainda tem muito a aprender, mas há pontos que merecem destaque. Deve-se manter os braços fechados quando o adversário estiver passando sua guarda. Muitos se esquecem disso e deixam o oponente colocar o gancho por baixo, o que torna a passagem de guarda quase certa. Para se prevenir, os braços devem estar colados. Outro erro é quando estiver passando a guarda, lembre-se de manter os cotovelos colados ao corpo, o que vai prevenir a guarda-aranha, raspagens, ataques ao braço, triângulos etc.”

Alexandre “Soca” Carneiro – Líder da Soca BJJ, em New York

“Três dicas: na meia-guarda, por baixo, o certo é entrar com o braço por baixo da axila do oponente para criar mais espaço para a reposição. Quando for pego na chave de pé, não rode para o lado contrário da torção, mas para o lado da pressão. Quando for atacado no estrangulamento, não tente abrir a própria gola, o que só irá ajudar o oponente a enterrar a mão.”

E para você, qual é o erro mais comum na faixa-azul do Jiu-Jitsu? Comente com a gente.

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There are 9 comments for this article
  1. Pingback: Em homenagem aos azuis, o que você precisa saber no Jiu-Jitsu básico » MMA VALE
  2. Patrick Azevedo at 2:53 pm

    Acho que o grande erro aqui (que geralmente é o meu erro mas estou corrigindo) é a demora nessa posição. Se o cara vem passando a guarda uma saída é virar de quatro apoios bem fechado e rapidamente tentar repor a guarda ou meia, ou sair dali de alguma forma. Também sou faixa azul no jiu jitsu, e como treinei judo um bom tempo tenho essa mania de ficar de quatro apoios pra me livrar de algumas situações.

  3. Patrick Azevedo at 2:53 pm

    Acho que o grande erro aqui (que geralmente é o meu erro mas estou corrigindo) é a demora nessa posição. Se o cara vem passando a guarda uma saída é virar de quatro apoios bem fechado e rapidamente tentar repor a guarda ou meia, ou sair dali de alguma forma. Também sou faixa azul no jiu jitsu, e como treinei judo um bom tempo tenho essa mania de ficar de quatro apoios pra me livrar de algumas situações.

  4. Jeferson Gomes at 1:35 am

    EU SOU FAIXA AZUL MAS TO DESDE OUTUBRO DE 2012 SEM TREINAR(quebrei o braço e tive que fazer cirurgia)semana passada dei um treino de leve, e vim a diferença entre uma pessoa que ta treinando e outra que ta parrada.TREINO E TUDO.

  5. Carlos Eduardo Mariany at 5:35 pm

    TREINEI DE 2001 A 2005, FIQUEI PARADO POR 8 ANOS. VOLTEI AGORA EM JANEIRO DE 2013, SEMPRE FUI COMPETIDOR, LUTEI E LUTO VÁRIOS CAMPEONATOS. AGORA SOU MASTER E ESSE ANO ESTOU ME SENTINDO MUITO BEM NA FAIXA AZUL, COM ALGUMAS MEDALHAS IMPORTANTES.

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