Jonathan Gottschall, o intelectual que abraçou o MMA e saiu na porrada

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Jonathan GottschallFoto WashjeffEdu

O professor e dublê de lutador de MMA Jonathan Gottschall, em foto na Universidade Washington e Jefferson, onde ensina, na Pensilvânia. Foto: Site da WashjeffEdu.com / Divulgação.

Americano de 39 anos, Jonathan Gottschall ensina literatura inglesa na Pensilvânia, lançou seis livros e tem diversas teorias interessantes. Algumas talvez sejam revolucionárias, como a importância das obras de ficção no desenvolvimento da raça humana, tese que expõe em seu último livro, “The Storytelling Animal: How Stories Make Us Human”, ainda sem edição em português (algo como “O animal contador de histórias: como as histórias nos fazem humanos”).

Ou seja, um intelectual maluco como outro qualquer, não fosse por um detalhe: sua fixação pelo MMA, esporte que começou a praticar há um ano e meio, e cuja curiosidade brutal o levou a… lutar num ringue, coisa de poucas semanas atrás.

“Ao treinar MMA, aprendi, acima de tudo, que sou um homem contraditório. Não fiz isso por razões pessoais, mas por motivos intelectuais. Queria entender por que os homens lutam em combates rituais e quais as razões que levam um cara gentil como eu a se deleitar com esses espetáculos de barbrárie”, disse o escritor.

Gottschall foi o entrevistado das “páginas amarelas” da última edição da Revista “Veja”, e o que aprendemos de melhor com a entrevista está a seguir.

Por que os homens brigam

“Tanto a literatura quanto as ciências sociais mostram que nos combates os homens estão em busca de status. Pode parecer um motivo fútil, mas o status é determinante para posicionar um indivíduo nas hierarquias. Estar no fim da fila hierárquica, tanto para o homem quanto para os animais, é muito ruim – e, claro, um óbvio risco à sobrevivência.”

UFC, MMA e evolução

“Quando comecei a assistir, nos anos 1990, fiquei impressionado com a violência do esporte. Não pude acreditar que essa era uma forma de luta legalizada. Honestamente, os combates me reviravam o estômago. Ainda fico enojado em algumas situações. O MMA não impõe limites para a agressividade. Além de ser a expressão máxima da brutalidade humana, tem-se ali uma modalidade muito eclética, que aceita modificações e está em constante evolução. Outras categorias, como o karatê e o judô, possuem regras fixas, não incorporam novos golpes. Arrisco-me a dizer que o MMA é a mais evoluída forma de arte marcial.”

A luta e a decepção

“Foi a primeira e última. Não quero fazer isso de novo, Fui derrotado por uma chave de braço, mas não foi esse o problema. O pior foi o anticlímax do final. Não estava suado nem cansado. Depois de um ano e meio de treinos, dietas e um mês de ansiedade para entrar no octógono, fiquei decepcionado. Foi tudo muito rápido. Esperava algo mais épico, prolongado e brutal. Como na ‘Odisseia’, ou na ‘Ilíada’, de Homero.”

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There are 3 comments for this article
  1. Augustomma at 9:01 am

    Pqp em graciemag,sabemos que no jiu-jitsu temos gente de todos as qualidades,casinho chato esse em,tanta estória interessante para mostrar pelo mundo a fora,as vezes esqueço que o jiu-jitsu tem milhões de praticantes lendo coisas assim!

  2. Dario at 9:31 am

    interessante a forma de se observar a condição humana, ir lá e experimentar e compreender a verdade, o homem luta para conseguir status, mesmo aqueles que apenas praticam na academia e não se importam com competições externas. dizer q é um “casinho chato” é não entender a propria condição, algo essencial para aprender e crescer, tanto na vida, quanto na prática do jiu-jitsu.

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