Qual o momento certo de ensinar os ataques de perna?

Share it

Bochecha aperta o pé no Mundial Sem Kimono. Foto: Dan Rod.

Afinal, qual o melhor momento para ensinar aos alunos os ataques e defesas das chaves de perna?

Nos anos 80 e meados dos anos 90, um ataque de perna numa competição de Jiu-Jitsu era recebido por vaias. Os golpes eram discriminados, vistos como grosseria e até falta de técnica de quem o aplicava. “Sapateiro, sapateiro”, era o coro que se ouvia nas arquibancadas dos ginásios.

O tempo passou, o Jiu-Jitsu evoluiu e os ataques da cintura para baixo se tornaram ótimas opções de finalização. No entanto, são posições que podem machucar mais facilmente os companheiros de treino, principalmente os menos experientes. Por conta disso, algumas chaves de pé e joelho, por exemplo, são permitidas nas competições apenas a partir da faixa-marrom.

Nas academias, fica a critério do professor. Cabe a ele avaliar o momento certo de mostrar as técnicas para que o aluno aprenda a aplicá-las e a se defender delas na medida que evolui entre as graduações.

“A botinha pode ser ensinada desde a faixa-azul para o pessoal entender o conceito da posição, para não pensar que é só abraçar a perna e se jogar para trás. Tem que entender a pressão, o ajuste. A partir da roxa, pode incrementar com mais variações. Se começar a ensinar estas posições desde muito cedo, há o risco de o jovem se viciar nessas posições e ficar dependendo disso, com um jogo limitado”, é a opinião de um dos especialistas no assunto, o campeão mundial sem kimono Marcus Bochecha.

Na GRACIEMAG #178, em todas as bancas, não perca um dossiê completo sobre os ataques de perna. Vá às bancas, mas calce a botinha!

Ler matéria completa Read more
There are 12 comments for this article
  1. Fernando Henriques at 12:39 pm

    A verdade é que o jiu-jitsu, após o fim da rivalidade com a luta livre, passou a absorver o conceito da mesma em relação as chaves de pés e perna – especialidade de tal luta -, muitos pretas de LL migraram para academias de jiu-jitsu e assim como aprenderam ótimas coisas sobre o jogo de guarda, por exemplo, compartilharam tais técnicas. Por isso é estranho ler “O tempo passou, o Jiu-Jitsu evoluiu e os ataques da cintura para baixo se tornaram ótimas opções de finalização.”; sempre foram ótimas opções de finalização, mas assim como o triângulo de braço, eram tradicionais da luta rival, por isso o preconceito, que era com a LL em geral, os ditos suburbanos. O jiu-jitsu sempre foi elitizado, mas o crescimento mundial barrou tudo isso. Vai explicar pra gringo o porquê de não usarem tais golpes, não tinha como.

    Acho que seria de melhor tom sempre mencionar coisas assim, mas como a LL teoricamente se enfraqueceu, não há quem reclame de nada e hoje tudo é jiu-jitsu.

  2. Abcarioca at 4:35 pm

    iSSO DEVERIA SER ABOLIDO DO JJ , É UMA GROSSERRIA MESMO !! UMA INFINIDADE DE ATLETAS SOFREM SÉRIAS LESÕES DEVIDO A ESSES ATAQUES AOS TORNOZELOS E JOELHOS, MUITA DAS VEZES, LESÕES IRREVERSÍVEIS.

    • Fernando Henriques at 9:24 am

      Tem que bater logo, tem que saber treinar, senão é lesão mesmo. O pessoal da luta livre treina isso há anos e estão aí, com joelhos vivos, rsrsrs. E na verdade, as chaves de tornozelo e calcanhar, as mais perigosas, já são abolidas do jiu-jitsu né, não valem nem para preta.

  3. Flaverajitsu at 3:01 am

    eu acho que o atleta tem que ser completo, e tem que valer mesmo, só que nem o amigo disse tem que saber bater senao….e tambem quem aplica a chave tem que maneirar na pressão indempendente de ser competição ou não

  4. Raphael Abi-Rihan at 12:09 am

    Concordo plenamente com esse craque do Jiu-Jitsu que é o Marcus Buchecha. Se for ensinada com critérios e seguindo uma progressão pedagógica ao longo da história desse atleta em todas as faixas, a chave de pé apenas enriquece o Jiu-Jitsu do indivíduo.

    Entrei no Jiu-Jitsu no final da década de 80 e já vias grandes lutadores da arte suave aplicando chaves de pé, inclusive meu mestre Manimal. No final da década de 90 o Rodrigo “comprido” ainda bem jovem finalizou o renomado “Roleta” na final de um absoluto no mundial com uma chave de pé e foi ovacionado. Em trajetória de aproximadamente 11 anos na faixa marrom e preta jamais fui vaiado por aplicar tal golpe, pelo contrario, já tive a grande satisfação e felicidade de ser aplaudido pela técnica que considero refinada e justa, longe de ser uma grosseria. Quando busco aprender com antigos mestres do Jiu-jitsu vejo muita chave de pé , joelho e inclusive de calcanhar, que ao meu ver (essa vai dar polêmica, rsrsrs) deveria ser permitida para faixa preta, pois trata-se de uma torção como outra qualquer e com experiência você consegue desistir antes do limite e com técnica consegue defender a posição.

    Se um aluno me pergunta sobre uma chave de pé, é minha obrigação apresentá-lo ao golpe, é claro apresentando também a regra. Preciso ter critérios para que ninguém cometa nenhuma infração em competição ou machuque um colega de treino.

    Aí ficam algumas perguntas…

    …. O que me impede de ensinar uma chave de calcanhar para um aluno graduado curioso? Será que ele será competidor ou quer entender o Jiu-Jitsu por completo? Se for contra, quer dizer que também não devo ensinar defesa pessoal para os alunos já que em competições de Jiu-Jitsu não existem ataques com contato (soco, chutes, objetos, etc.)? Ou então jamais poderei propor um treino sem tempo, já que as lutas lutam no máximo 10 minutos…

    Será que estamos realmente passando tudo para os nossos alunos? Será que é o verdadeiro Jiu-Jitsu que está sendo ensinado na maioria das academias?

  5. Cecelo at 12:52 pm

    Entendo que no tempo certo o aluno deve aprender as técnicas de ataques nas pernas, contudo não consigo ver que seja necessário um grande conhecimento técnico para aplicar esses ataques e ainda mais vejo muitos lutadores basearem seu jogo nas chaves de pé e pernas. Não me lembro de nenhum atleta top que tenha como base esses golpes, acho necessário conhecer e aplicar corretamente, mas , nunca ter como ponto forte do jogo apenas isso!

  6. Botelho Pinto at 5:54 pm

    Eu sou um sapateiro profissional e covarde. Bobeou, eu pego a perna e levo para casa. Quando era faixa-roxa, mandei muito preta para o hospital. Hoje faço isso com os mais novos.

  7. Felipe Amorim at 11:35 pm

    o problema é que hoje existe o youtube, se o professor se esquivar de ensinar na academia, o aluno vai pra internet, e lá ele aprende tudo, ataque, defesa, controle, pegada… tudo….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *