Cigano conta a sua história

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O que Junior Cigano disse após o triunfo sobre Cain Velasquez, quando nocauteou para tomar o cinturão de pesos pesados do UFC, o leitor já conferiu aqui no GRACIEMAG.com. Mas e o que aconteceu muito antes disso?

No início da carreira, Cigano treina com Minotauro. Foto: Carlos Ozório.

Em 2007, na minha primeira entrevista com Cigano (confira uma galeria de fotos inédita mais abaixo), o futuro campeão do Ultimate dava os primeiros passos no MMA em eventos no Brasil. Os treinamentos já eram ao lado dos irmãos Nogueira e de feras como Fabio Maldonado, puxados por Luiz Alves, Amaury Bitetti, kelson Pinto e Rodrigo Artilheiro. O CT da Team Nogueira ainda estava em construção e o bicho pegava num ringue montado na casa de um amigo de Minotauro, na Barra da Tijuca. Com roupas humildes e o mesmo jeito tranqüilo de hoje, Cigano era um iniciante cheio de sonhos e de esperança. O ex-garçom, que saiu de Santa Catarina para viver em Salvador, na Bahia, apostava todas as sua fichas na luta.

Com talento nato para o ofício, precisou de apenas seis anos de treino para sair da estaca zero ao posto de melhor lutador peso pesado do mundo. Em seu destino, a oportunidade de ser um dos protagonistas do “The Ultimate Fighter” e se tornar campeão na primeira luta do UFC transmitida em TV aberta nos EUA, também com transmissão ao vivo na TV aberta brasileira. O combate, segundo o presidente do UFC, Dana White, foi o mais importante na história da organização.

Praticante de lutas há apenas seis anos, Cigano já é campeão do UFC. Foto: UFC.

Essa trajetória tanto o GRACIEMAG.COM quanto a revista GRACIEMAG acompanharam de perto. O que não vimos, Cigano contou em nossas páginas. Confira um pouco dessa história:

Como foi sua infância, em Santa Catarina?

Foi bem humilde. Meu pai era mecânico e a minha mãe faxineira. Meus pais se separaram cedo e ficou apenas eu e meus dois irmãos. Minha mãe tinha que trabalhar, ficar fora o dia inteiro,então tivemos que aprender a nos virar.

E como fazia para “se virar” antes de ser lutador?

Vendia picolé, entregava jornal, fui servente de pedreiro… Fiz muita coisa. Depois fui para a Bahia e trabalhei como garçom. Foi quando conheci a minha esposa. Tínhamos uma loja de brinquedos. Depois de um tempo a loja não estava tão bem e foi quando decidi apenas treinar.

Hoje você é conhecido pelos nocautes, mas é verdade que começou no Jiu-Jitsu?

O meu primeiro contato com as lutas foi aos 21 anos de idade, com o Jiu-Jitsu mesmo. Malhava numa academia que tinha Jiu-Jitsu e decidi praticar com o professor Yuri Carlton. Desde o início foi uma coisa legal, aprendia rápido e fui gostando de praticar.

Todos dizem que a sua principal habilidade é o boxe. Como foi o início nesta modalidade?

Depois da minha primeira luta de MMA (2006), pouco depois de um ano que eu praticava Jiu-Jitsu, passei a treinar boxe. O Yuri me apresentou ao treinador Luiz Dórea e fui muito bem recebido. Passei a treinar boxe de segunda a sábado e a academia tinha os maiores campeões do país. Era muito empolgante, todos se dedicavam muito e eu queria aquilo também. Isso me puxava e desenvolvi o boxe muito rápido. Hoje é o meu carro-chefe, a arma que confio e com que posso definir a luta.

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Como conheceu os irmãos Nogueira?

Também foi através do professor Yuri. Eles estavam em Salvador e precisavam de gente para treinar. O Yuri me ligou para me avisar que eles estariam na academia. Já era muito fã deles e saí correndo! Lembro que dessa vez dei um rola com o Rogério. Era faixa-branca ainda, mas sempre fui muito forte, então dava para dar uma ajudinha. Quando conheci o treinador Dórea, que já havia trabalhado com os Nogueira, passamos a conversas sobre a possibilidade de eu ir treinar no Rio de Janeiro.

Como foi largar tudo na Bahia e ir para o Rio?

Foi uma fase realmente pesada. A minha esposa acreditou em mim e, realmente, me bancou. Foi bem duro, não tinha vivência de luta e as coisas aconteceram muito rápido. Quando percebi, estava treinando com os Nogueira e todo o pessoal, caras que já eram ídolos. Não tinha técnica e nem condicionamento físico suficientes. Meu corpo, definitivamente, não estava acostumado com aquilo. Apanhava bastante, foi sofrido! Havia dias que não dormia, de tanta dor, mas no dia seguinte estava no horário do treino. Não queria perder a chance, tinha que aproveitar o máximo que pudesse. Ajudava em tudo e estava sempre aprendendo. Me tornei um lutador rápido, mas foi muito sofrido.

Aí veio o UFC…

Mudou tudo na minha vida. Hoje tenho expectativas incríveis, os sonhos mudaram e até a maneira de eu pensar certas coisas são diferentes. Tenho o segundo grau de escolaridade, mas trabalhava em profissões sem expectativa de crescer. Consegui me dar bem no esporte, uma área muito difícil no Brasil. Está sendo tudo incrível. Hoje tenho estabilidade financeira e acredito que tudo vai melhorar ainda muito.

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There are 7 comments for this article
  1. JOTTA VEIGA at 3:26 pm

    Parabens , Cigano… esse cinturão sera teu por muito tempo, basta fazer tudo exatamente como esta fazendo, com humildade, dedicação e sempre cercado de pessoas certas… voce tera um longo reinado

  2. Alexandre at 1:12 am

    Pena que as autoridades governamentais do Brasil não enxergam isso. Com certeza existem muitos outros “Ciganos” esperando apenas uma e única oportunidade para se destacar. Parabéns aos irmãos Nogueiras também…. muitos outros lutadores (como o próprio Anderson Silva) são gratos a estes dosi campeões dentro-e-fora do ringue!

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