UFC: o caveira levantou o Rio ou o Rio levantou o caveira?

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Há uma semana, o policial Paulo Thiago, 30 anos, saía do hotel na Barra rumo ao UFC Rio tentando pensar apenas em seu importante compromisso contra o finalizador David Mitchell, no peso meio-médio (até 77kg). Procurou não ocupar a mente com lembranças como a estreia arrebatadora no UFC, em 2009, quando meteu o pé na porta e já chegou nocauteando o respeitado marrentão Josh Koscheck.

Oficial do Bope e aluno do criador de feras Ataide Junior, Paulo procurou não lembrar que, depois disso, seu jogo oscilou um pouco. Veio a derrota para a pedreira Jon Fitch, vitórias sobre os ótimos Jacob Volkmann e Mike Swick, e por fim dois insucessos contra Martin Kampmann e Diego Sanchez. Era hora de vencer, e nada melhor que ter uma torcida inteira como combustível.

Aditivado pelos dois filmes da série “Tropa de Elite”, Paulo adentrou a HSBC Arena sob um estrondo jamais visto, ou ouvido. “Parece que eu estou bem no meio de uma torcida de futebol”, bradava entre palavrões o presidente do UFC, Dana White. Os coleguinhas da imprensa internacional arregalavam o olho em êxtase, divertindo-se com os gritos de guerra de “Vai morrer!” para Mitchell, e os cantos e frases tiradas do filme do diretor José Padilha. (E o “Vai morrer” não é nada. Não duvide, leitor, se no próximo UFC os torcedores imitarem o que vemos nos estádios de futebol daqui e levarem caixões com o nome dos oponentes dos brasileiros. Um clássico, de gosto duvidoso, mas um clássico.)

O fuzuê deu resultado, e Paulo não deu mole para o rival, chegando as costas no finzinho e vencendo por decisão unânime. O barulho era tamanho que repórteres não acostumados acharam que ele tinha finalizado. Nada, o californiano foi salvo pelo gongo.

No fim das contas, quem levantou quem? Foi o oficial do Bope que chacoalhou o UFC Rio ou foi o UFC no Rio que chacoalhou Paulo Thiago e o colocou novamente nos trilhos?

Paulo Thiago dá mais uma carteirada em David Mitchell, no UFC Rio 134. Foto: Divulgação/UFC.

 

“As duas coisas, as duas coisas”, avalia Wallid Ismail, empresário e amigo do lutador. “Foi uma das entradas mais bonitas da história do UFC, a mais emocionante do UFC Rio, e ele nem estava no card principal. O Paulo precisava desse empurrão, e não há incentivo maior do que fazer bonito diante dos brasileiros, na estreia do UFC no Rio, com a torcida toda a favor. A partir de agora, ele está focado em apenas um objetivo: ir para as cabeças na categoria”.

Nem a torcida nem o policial ganharam sozinhos, claro. Wallid destaca o excepcional do professor de boxe Diguinho, da Constrictor Team, e do líder da equipe, o faixa-preta Ataide. “O Ataide é um guerreiro, sempre foi, e passa isso para os alunos. Para você sentir, o Ataide jamais escolheu adversários para seus alunos. Quando eu caso as lutas, ele nem pergunta quem é. Por isso o Constrictor Team é respeitado aqui, e cada vez mais lá fora”, elogia o fundador do Jungle Fight, para terminar com uma cotoveladinha.

“O mais importante, anota aí, é o seguinte. As vitórias do Paulo, e do Yuri Marajó e do Erick Silva, todos vindos do Jungle Fight, comprovaram a importância de se enfrentar adversários duros aqui antes de ir lutar lá fora. Se o atleta só enfrenta oponentes escolhidos para engordar cartel, se ele só pega moleza, chega ao UFC e se ferra! Olhem por favor o currículo do pessoal que veio do Jungle: o Erick enfrentou os caras mais duros do brasil antes do UFC Rio. Chegou lá, fez o dever de casa. Então o Jungle não é evento feito para treinadores, para um time só crescer. É feito para o atleta, para o público e para o MMA crescer como um todo”, alfineta.

Para a próxima missão dada a Paulo Thiago, a equipe conversou com o pessoal do UFC e fez um pedido, como lembra Wallid: “Após a vitória, pedimos um oponente com uma condição: que tenha dois braços e duas pernas. De resto, pode vir quem vier”. Caveira, comandante!

 

UFC Rio

HSBC Arena, Barra, Rio, RJ

27 de agosto de 2011

 

Anderson Silva venceu Yushin Okami por TKO aos 4min2s do R2

Mauricio Shogun venceu Forrest Griffin por TKO no R1

Edson Barboza venceu Ross Pearson por decisão dividida

Rodrigo Minotauro venceu Brendan Schaub por TKO aos 3min9s do R1

Stanislav Nedkov venceu Luiz “Banha” Cane por TKO aos 4min do R1

Thiago Tavares venceu Spencer Fisher por TKO aos 2min21s do R2

Rousimar Toquinho venceu Dan Miller por decisão unânime

Paulo Thiago venceu David Mitchell por decisão unânime

Raphael Assunção venceu Johnny Eduardo por decisão unânime  

Erick Silva venceu Luis Beição por TKO aos 40s do R1

Yuri “Marajó” Alcantara venceu Felipe “Sertanejo” Arantes por decisão unânime

Yves Jabouin venceu Ian Loveland por decisão dividida

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There are 2 comments for this article
  1. Renan Nascimento at 8:43 pm

    Realmente as luta do caveira foi uma das melhores…Ele dominou totalmente todos os rounds e tinha gas pra mais 5…

    • Márcio Pqdt at 10:59 pm

      Como militar e praticante da arte-suave sou super fã do Paulo Thiago, que cumpre a missão de policial e luta no maior evento de MMA do mundo. Mas… todos perceberam que no final, assim como na luta com o Diego Sanchez ele estava exausto… Seu maior trabalho atualmente, acredito ser manter o gás do início do combate ate o final da peleja. Mas sempre terá a minha torcida!! E de todos os operacionais do Brasil!!

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