Na terra do UFC 129 – V

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White fala aos canadenses: "Vamos fazer mais barulho que o show do AC/DC", soltou, entre diversas pérolas.

A cidade de Toronto é um microcosmos perfeito da Terra. Há o bairro italiano, a parte portuguesa, a parte dos gays. E a maioria é de chineses, mas talvez eu tenha contado errado.

Há de tudo no meio dese povo simpático. Vemos habitantes totalmente focados em queimar as gordurinhas acumuladas no inverno – GSP, campeão dos meio-médios e estrela do UFC deste sábado, está na capa de uma revista para marombeiros. Há, por outro lado, uma população de gordos que não consegue evitar as porcarias deliciosamente açucaradas daqui. Irrecusáveis, se sua mente for fraca. (Um habitante acima do peso comprou certa vez dez donuts e dez cafés. Nove cafés foram para a lata do lixo fora da loja. Era tudo para ele, mas o caixa não precisava saber).

O MMA não é, claro, o único esporte esquisito na cidade. Cartazes anunciam um campeonato de guerra de travesseiros, mas não consegui saber como me inscrever. Há alguns meses, houve o campeonato internacional de pedra, papel e tesoura. Parece que um cara foi bicampeão, então há certa técnica nisso. E, nos arredores da rua Queen, só pode estar rolando um campeonato da tatuagem mais esquisita.

No meio dessa saudável loucura, o pessoal só quer saber de UFC. “Acho que St-Pierre perde no sábado”, solta do nada o piloto do bonde perto do local da entrevista coletiva, no litoral do lago Ontario. Pergunto o motivo, quebrando o protocolo de não conversar com o motorista. “Porque os últimos três caras que ele enfrentou não eram tão bons quanto este (Jake Shields), e nem assim ele me convenceu”. Evito o debate, mas ao meu ver o principal superpoder de GSP (21v, 2d) é justamente moldar seu jogo para anular qualquer oponente, incluindo os bons Thiago Pitbull, Dan Hardy e Josh Koscheck. Shields (26v, 4d, 1e), concordo, vem de uma sequência mais impressionante, contra Jason Miller, Dan Henderson e Martin Kampmann, mas acho que vai parar por aí.

http://www.youtube.com/watch?v=xC5UBQOUVOI

Dos dez canadenses no card (GSP, Mark Hominick, Mark Bocek, Rory MacDonaldSean Pierson, Yves Jabouin, Claude Patrick, Ivan Menjivar, Jason MacDonald e John Makdessi), o garoto da localidade de London, Hominick, é, ao meu ver, a maior zebra da noite. E também provou ser um dos mais talentosos e solícitos.

Cumprimentei-o ao final da coletiva, o assessor do UFC impaciente para levá-lo embora dali, e ele doido para atender o que quer que o GRACIEMAG.com quisesse saber. Ganhou um torcedor, mas não agora. Tudo porque o canadense bom de boxe encara, no sábado, o detonador José Aldo – o estreante com maior moral de toda história do UFC. Alguém aí embaixo discorda?

Para mim, a presença de Aldo no UFC 129 é o que fez um card excelente passar a um card estelar. E, pela gargalhada de Dana White na coletiva, quando perguntado sobre o assunto por Ana Hissa, Aldo é o grande trunfo para que o card do UFC Rio 134 passe de um card legal para um card imperdível.

Voltando à noite de sábado, Hominick sabe que o amazonense é isso tudo, perigoso e completo. Mas confia na qualidade técnica e especialmente na velocidade de seus punhos. Para que a luta se mantenha em pé, sua esperança, ele diz: “Acho que Aldo tem aquele instinto de usar fogo contra fogo, de provar que é melhor em qualquer aspecto. Mas vou estar pronto para ele em qualquer área”.

Não sei não, fera. O GRACIEMAG.com acompanhou um dos últimos treinos de Aldo, e na hora da parte de chão, o técnico Dedé Pederneiras pediu para que não fosse filmado. Mistério? Tática secreta? Não. Acho apenas que o lutador da Nova União vai enfim lembrar aos fãs do Jiu-Jitsu que ele foi um dos poucos no mundo a derrotar Rubens Cobrinha, tetracampeão dos penas. Algo que o leitor mais ligado de GRACIEMAG sabe faz tempo.

E Hominick também crê que se os 55 mil torcedores fizerem barulho, isso pode ajudá-lo no lado psicológico da batalha. Pode ser. Vamos ver como os chineses se comportam.

UFC 129

Rogers Centre, Toronto, Canadá

Sábado, 30 de abril de 2011

Georges St-Pierre x Jake Shields
José Aldo x Mark Hominick
Vladimir Matyushenko x Jason Brilz
Lyoto Machida x Randy Couture
Mark Bocek x Ben Henderson

Card preliminar na Spike TV

Nate Diaz x Rory MacDonald
Sean Pierson x Jake Ellenberger

Card preliminar (um Canadá x EUA informal)

Yves Jabouin x Pablo Garza
Claude Patrick x Daniel Roberts
Ivan Menjivar x Charlie Valencia
Jason MacDonald x Ryan Jensen
John Makdessi x Kyle Watson

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There are 5 comments for this article
  1. Odair Junior at 2:52 pm

    Para Redacao(Marcelo Dunlop)!!

    Por favor nao me leve a mal, o Jose Aldo e de longe um lutador sinistro e sem desmerecer este grande campeao que e ele,e com todo este assedio que esta acontecendo na vida dele, o cara ainda parece manter a humildade de sempre,mas a imprensa ficar promovendo a vitoria dele em cima do Cobrinha quando eles eram faixa marrom voces estao de brincadeira!! O cobrinha sempre foi um exelente lutador,mas na preta o nivel tecnico dele subio acima da media, entao teria que ter um outro confere para poder realmente se ter uma media do nivel de chao do Jose Aldo em relacao ao do Cobrinha,e isso seria o mesmo que comparar o Ed Bravo com o Royler,o Ed Bravo ganha a vida em cima da luta dele com o Royler que tem uma tecnica muito mais refinada que a do Ed, mas como o Royler cometeu um erro, ai ja viu. E nao e pagacao de pau para niguem,porque nenhum deles precisam disso!!!! Foi so o que percebi lendo (minha opiniao) a materia, e obrigado pela cobertura.

    Dair.

  2. Marcelo Dunlop at 12:19 pm

    Fala Dair, o lance é que Rubens Cobrinha chegou à faixa-preta tomando o peso-pena de assalto, vencendo oponentes duros no Mundial 2006.

    José Aldo tem um chão refinado, e esta vitória na faixa-marrom resume bem isso. Abraços.

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