Lições de cada ano com Jiu-Jitsu

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Foto: divulgação.

Fazia muito tempo que eu não despertava na manhã de Natal com uma pequena, mas grata surpresa. Nem me dei ao trabalho de levantar da cama e fui conferindo os carinhosos e-mails dos amigos pelo telefone. Ficamos até as 4 da manhã eu e mais cinco professores do Emirates Team discutindo vários assuntos, todos, inevitavelmente, relacionados ao Jiu-Jitsu. Dentre os numerosos e-mails, um me contagiou mais. Após umas pequenas frases sobre Natal e lembranças à família, meu ex-aluno Dimitri Pilaris, hoje residente em Santa Catarina, encerra assim:

“Tenho gratidão por ti, meu primeiro professor de Jiu-Jitsu. Não me tornei campeão nos tatames, mas levarei os ensinamentos comigo para a vida. Muito obrigado”

Num pequeno instante, lembrei das primeiras aulas ministradas ao Dimi, lá no Rio Grande do Sul. Ele devia ter apenas 13 anos. Lembro que ainda era baixo pra idade, cheio de ímpeto e, como todo pré-adolescente, não sabia o que queria da vida. Quem trabalha com crianças e adolescentes sabe como o Jiu-Jitsu pode ser um instrumento formador de caráter e como as nossas palavras podem ecoar na vida desses garotos. Dimi, como dezenas de outros, seguiu seu caminho, mudou de estado, mas continuou vivendo o estilo de vida que lhe foi proposto. Seu e-mail veio reforçar a idéia da importância do papel de professor.

Imediatamente me transportei para anos antes. Ainda faixa-branca, fui utilizado como sparring dos amigos Luiz Brito e Murilo Rupp, que iriam estrear no vale-tudo, como era chamado o MMA na época. Em nosso primeiro treino, meu mestre, Zé Mário Sperry, foi bem claro: “Ensinar vocês a golpear alguém é fácil, estão aqui para aprender a apanhar.”

Assim como Dimi levou meus ensinamentos para o dia-a-dia, eu levei os dos meus mestres também. Aprendi a apanhar, não só no dojô. Aprendi a receber os golpes da vida. Estes são, certamente, os mais dolorosos. É neste grande torneio chamado “vida” que se sofre as maiores derrotas. A vitória consiste em viver e tirar proveito dos ensinamentos que o revés nos dá.

Se conseguir levar os ensinamentos do Jiu-Jitsu para fora dos dojôs, pode ter certeza, vai ser um faixa-preta da vida, que é o que realmente importa no fim das contas.

O ano está terminando, talvez não tenha sido um período muito bom para alguns, mas todos devem ter aprendido a “apanhar” mais um pouco. No próximo ano, estaremos mais condicionados para partir ao próximo round.

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There are 4 comments for this article
  1. Bruno "Monkey" Monteiro at 9:16 pm

    Grande Mohamad, sabias palavras meu velho. Realmente tivemos grandes mestres dentro do tatame e que com certeza são também mestres na arte da Vida. Muito obrigado Zé Mario e Walter Mattos!!! Um Feliz 2011, repleto de saúde, paz, felicidades e sucesso para todos!!! Osss

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