Cachorrinho e a troca do terno pelo kimono

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Flávio Almeida, conhecido como Cachorrinho, hoje é fundamental na implementação da nova metodologia de trabalho que, em breve, estará padronizada nas academias Gracie Barra por todo o planeta. Por algum tempo, o lutador deixou o kimono de lado e trajou o terno e gravata, já que é um economista formado numa das mais tradicionais universidades do Brasil. Mas o Jiu-Jitsu falou mais alto. O faixa-preta comenta um pouco dessa história e muito mais. Confira:   

 
 

Foto: Arquivo GB

Você é formado em Economia. Como tomou a decisão de trabalhar com o Jiu-Jitsu? Foi um dilema? 

Me formei em 2003 pela UFRJ e me especializei em Economia Ambiental, é mole! Adorava o que eu fazia, mas o mundo empresarial tem seu lado negro e certamente o estilo de vida não era muito alinhado com o que aprendi do mestre Carlinhos (Carlos Gracie Jr.). Sempre sonhei em viver do Jiu-Jitsu, mas não tinha certeza se esse seria o melhor caminho para mim. Tive que experimentar a vida de executivo pra ter certeza de que eu queria mesmo é viver do Jiu-Jitsu. Quando enchi o saco do terno, voltei para o kimono e, com apoio do meu irmão (Ricardo Cachorrão), do professor Márcio Feitosa e do mestre Carlinhos, consegui me estabilizar. O engraçado é que acabei me tornando executivo da Gracie Barra, mas, pelo menos, até agora o terno continua sendo o kimono! 

Hoje você mora nos Estados Unidos. Como vê a evolução do Jiu-Jitsu neste país?  

É impressionante o que está acontecendo aqui. O belíssimo trabalho sendo feito pelos milhares de professores espalhados por todo os país está surtindo um efeito incrível. O Jiu-Jitsu brasileiro vai ser em alguns anos a arte marcial mais praticada nos Estados Unidos e isso num país onde existe uma escola de arte marcial em cada esquina. Fico muito orgulhoso de ver que um produto tão único da cultura brasileira esteja sendo tão bem aceito pelos americanos. Eles amam o Jiu-Jitsu! 

A Gracie Barra, especialmente, vem conduzindo um trabalho  

Como bom brasileiro, Cachorinho não dispensa um futebol. Foto: Arquivo GB

diferente, com o chamado Sistema Escolas Premium. Como vai conduzir a introdução dessa nova metodologia no Brasil? 

Estou indo ao Brasil para recarregar as baterias! Amo a vida nos Estados Unidos, mas o Brasil faz falta! Com o nascimento da minha filha, a saudade apertou e quero passar um tempo com a família. Mas quero unir o útil ao agradável e, além dos treinos na matriz da Gracie Barra no Rio, que quero participar todos os dias como nos velhos tempos, pretendo passar bastante tempo com os professores Jefferson Moura (GB Rio) e Carlos Liberi (GB Campinas) articulando a continuidade da implementação dos sistemas de ensino e gestão de academias. Nossa estratégia no Brasil é a criação de algumas escolas modelo. No momento, serão no Rio e em Campinas. Isso é para podermos aprender através das adaptações necessárias como fazer a introdução da metodologia no Brasil. Assim que tudo estiver redondo e seguir as linhas do projeto nos EUA, o futuro é abraçar todas as academias, buscando a consistência, uniformidade, crescimento e qualidade de ensino.  

O que devem fazer os professores de todo o Brasil interessados em conhecer o Sistema Premium, enquanto você estiver aqui?  

A galera da Gracie Barra interessada em entender a visão do mestre Carlinhos, a metodologia criada e os caminhos percorridos é bem vinda na reunião de instrutores que vamos realizar no dia 27 de maio, às 10 da manha, na Gracie Barra Campinas. A ideia é fazermos uma apresentação para a galera e ter uma conversa sobre as dúvidas que possam surgir. Depois vai rolar um seminário e um treinão à noite, entre todos os participantes. Vai ser show! O Mestre Carlinhos e os professores Márcio Feitosa e Marco Joca vão participar também, via internet. 

Como analisa a evolução dos alunos e da academia depois da implementação do Sistema Premium?  

A metodologia implica na utilização de métodos de gestão e ensino que visam a excelência na pratica do Jiu-Jitsu. O aspecto financeiro existe e é fundamental para que o instrutor possa ser remunerado de uma forma justa e competitiva, até para que um bom serviço possa ser prestado ao aluno. O Jiu-Jitsu dos alunos que treinam nesse ambiente tem um nível técnico excepcional e aqueles que se dedicam proporcionalmente sempre atingem destaque nas competições. 

Flavio em ação. Foto: Alicia Anthony

Veremos você em ação nos dojôs este ano? 

Acho que não. Entre a família, minhas academias e a Gracie Barra, está difícil achar foco e motivação para competir. Mas o treino continua firme. Tenho o privilégio de treinar sempre com as maiores feras da Gracie Barra, por viver tão perto do nosso quartel general na Califórnia. É muito amasso do Rominho (Barral), Otavio Souza e Kayron (Gracie) todos os dias!

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There are 3 comments for this article
  1. mattamachado at 8:52 am

    Parabens Flavio, pela otima entrevista. Agora so falta colocar o jiujitsu nos jogos olimpicos. Nao sei porque os Gracies ainda hesitam, pois a arte suave é hoje uma pratica mundial e o Brasil teria muitas glorias olimpicas com o esporte. MaTTA mACHADO

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