“Existe um lado muito charmoso e feminino no Jiu-Jitsu”

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É dia internacional da mulher, e sem mais delongas GRACIEMAG.com concede a palavra a elas.

Contra o que luta a mulher que faz Jiu-Jitsu hoje? Com que peculiaridades as representantes do Jiu-Jitsu feminino convivem?

Michelle (kimono preto) contra Letícia Ribeiro no último Mundial. Foto: Regis Chen.

A bela e guerreira Michelle Nicolini, colecionadora de títulos e participante de todos os torneios da IBJJF, foi a escolhida para contar um pouco de sua rotina, em entrevista exclusiva.

Como é sua rotina de mulher faixa-preta de Jiu-Jitsu?
Bem, eu de manhã tomo meu café, meu lanche no meio da manhã e aproveito para realizar as tarefas normais que todas mulher deve fazer. Preparo o almoço e vou treinar. Os treinos são sempre bem desgastantes. De tarde tenho preparação física e de noite mais um treino de Jiu-Jitsu. Depois desse treino vou para casa dormir. Tem um dia da semana que tenho um descanso programado, fundamental para o bom rendimento dos treinos.

Além das adversárias, que dificuldades a mulher que luta precisa vencer dia após dia?
A maior dificuldade é a falta de apoio, de patrocinadores. Existem muitas meninas que gostariam de se tornar profissionais como os homens, mas não encontram apoio. Gostaria de ver também mais meninas nos campeonatos. Assim poderiamos cobrar mais igualdade. Hoje em dia os campeonatos que premiam em dinheiro pagam no feminino 50% menos que o masculino. Sei da dificuldade em conciliar tarefas d lar, filhos, treinos, mas meninas vamos lutar!!

Você acaba de voltar de seminários na Europa? O que observou em relação ao crescimento da arte suave por lá?
Foi minha primeira vez na Europa e achei o pessoal bem interessado. Existem várias meninas começando, algumas graduadas, acho que poderiam trabalhar mais com público infanto-juvenil, trabalho de base mesmo. Entre os homens a divulgação, o crescimento é bem visivel. Acho a Europa um ótimo campo de trabalho para o Jiu Jitsu.

No Jiu-Jitsu feminino não tem mais bobinha” Michelle Nicolini

Quais suas metas e sonhos?
Minha meta este ano é competir mais que em todos os anos, e voltar a ser campeã mundial pluma. Vou buscar meu terceiro título nesta categoria. Para isso está sendo traçado um plano de trabalho sério e criterioso. Tenho o sonho de lutar e vencer o ADCC 2011, tentei as duas últimas seletivas e fiquei na semifinal, mas o sonho persiste, sei que posso alcançá-lo.

O que faltou para o título mundial em 2009? Você já treina este ano
de olho na atual campeã Letícia ou tem mais lutadoras na sua categoria que podem surpreender vocês duas?

A luta na final do Mundial 2009 foi muito boa mas pequenos detalhes definiram o resultado. Detalhes esses que tentaremos corrigir esse ano. Fiquei muito triste por aquela derrota, mas estou com muito mais vontade de conquistar o ouro novamente. Com relação às adversárias, no Jiu-Jitsu feminino não tem mais bobinha. Fico atenta a todas as competidores, lógico que pela sua história no Jiu-Jitsu e por causa da disputa do ano passado estou muito mais atenta à Letícia.

Você ainda se lembra de seu primeiro treino de Jiu-Jitsu?
Sim. Marquei com uma amiga e fui, cheguei lá de calça de moletom e camiseta. Foi um treino em que me senti cansada, acho que por isso gostei. O professor separou um cara faixa-azul e este foi passando o que chamamos de “escolinha”. Treinava todos os dias da semana. Fui viciando. Com dois meses resolveram fazer um campeonato interno na academia, eu fui e perdi. Depois de um mês outro capeonato interno, perdi de novo, aí fui em um Paulista… Perdi de novo (risos)!
Pensei comigo, não quero mais saber de campeonatos, vou só treinar mesmo. Com o tempo a vontade de competir foi aparecendo novamente e no meu quarto campeonato fui campeã.

O que vc recomenda a meninas de todo o planeta que estão na branca ou pensando em começar a treinar?

Recomendo que as meninas treinem com muita força de vontade, com o coração, e para as iniciantes que não se assustem com a agarração, adquiram técnica, desenvolvam a arte. O Jiu-Jitsu não tem fim, não é algo entediante pois a todo momento estamos no lado bom e também no ruim. É um jogo, onde ganha quem se posiciona melhor e pensa mais rápido. Estratégia pura. Treine, nem que seja com perfume, maquiagem, kimono e unhas rosas, treine. Existe um lado muito feminino muito charmoso no mundo do Jiu Jisu.

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There are 3 comments for this article
  1. Sabrina at 12:51 am

    Michelle, parabéns pela mulher guerreira que você é. É um orgulho tê-la como amiga, você é um exemplo!!! E pode ter certeza que você alcançará seus sonhos, estarei sempre torcendo por você!!!

  2. isaias at 6:54 pm

    Otimo depoimento!!!!!!!!! Creio que a evolução da participação feminina no JJ seria as revistas do genero colocaram mais atletas na capa, falar dos seus feitos, historias de superação, ontes estão as camepeãs do passado? entrevista-las, pedir suas opiniões sobre o esporte, etc nem todas ainda estão lecionando e competindo. Sou leigo mas ainda vejo que as regras dos torneios de certa forma, colaboram para que as lutas femininas fiquem um tanto amarradas, menos ageis, as tecnicas são substituidas pela força, por “empurrões”, etc Senti algo assim ao ver que nos dvds do Mundial de JJ 2009, não ha lutas femininas(!), mostram uma ou outra melhor finalização. Sei que muuuuuitas pessoas querem ver as duas medalhas de Prata que Kyra Graice conquistou e mostrar tambem o merito das campeãs. A Budo Videos poderia lançar um novo disco com as finais femininas e best fights tambem. A não ser que, a comitiva tenha optado por não achar que as lutas femininas tenham sido boas. Os reporters perguntaram com muito diplomacia se não é hora de pensar em mudar algumas regras em direção de termos lutadores mais ageis e tecnicos e não amarrões para ganhar no tempo com poucos pontos ou vantagens. Acabei mudando de foco mas termino dizendo- Parabens para Michelle! Que ela influencie novas gerações de lutadoras!!! Ossss!!!!

  3. Pingback: A luta das mulheres - Bjj Girls Mag

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