Jiu-Jitsu como atalho para o sucesso

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Equipe de Liberi em Campinas. Foto: Arquivo Pessoal.

Cada vez mais o Jiu-Jitsu vai além de um simples esporte, luta ou competição. O estilo de vida da Arte Suave, assim como a sua filosofia, pode ser implementado de diversas maneiras no cotidiano e oferecer caminhos para chegar ao sucesso. Seja numa poderosa montadora de automóveis ou em academias espalhadas por todo o planeta – apenas alguns exemplos -, o Jiu-Jitsu muda a maneira de pensar, de agir e pode tornar qualquer um campeão.

Num bate-papo com o professor Carlos Liberi, que é diretor regional da Gracie Barra no estado de São Paulo e responsável da Associação Gracie Barra no Brasil, fica claro. O faixa-preta conta como a Arte Suave foi importante no treinamento de funcionários da Mercedes-Benz por todo o país. E, se o que aprendemos no tatame pode ajudar empresas de fora do seguimento, por que não usar a experiência dentro do próprio esporte? O professor também conta o sucesso do sistema de treinamentos desenvolvido por Carlos Gracie, implantado na sua academia, em Campinas, que em breve deve ser adotado em filiais da Gracie Barra por todo o Brasil.

Como o Jiu-Jitsu chegou à Mercedes-Benz?

Fui convidado por um aluno que trabalhava lá. Ele teve a idéia de colocar dentro do treinamento de vendas e pós vendas uma dinâmica de grupo com Jiu-Jitsu. Eles criavam um novo treinamento, em cima da vida do Samurai. Samurai, para quem não sabe, significa ‘aquele que serve’. Então decidiu colocar alguma arte marcial, mas sem maiores pretensões. Apliquei a parte estratégica do Jiu-Jitsu e o pessoal começou a linkar aquilo com o dia-a-dia deles. Isso chamou a atenção da diretoria, que veio assistir às palestras. Depois disso, passei a fazer palestras por todo o Brasil.

Mas como introduziu a luta nesse treinamento?

Uma vez que o Jiu-Jitsu quer dizer arte suave, e a máxima é ceder para vencer, dei esse foco para a área deles. Escutar o cliente, o que ele tem a dizer e as suas necessidades. Focava alguns tópicos que listei em cima dos nossos exercícios. Escolhia um voluntário forte e dizia para ele me empurrar. Aí falava: ‘você é mais forte que eu e me venceu. Agora, se quando você me empurrar eu somar a sua força à minha, em vez de tentar detê-la, redireciono essa resultante para onde quiser. Passo a ser mais forte que você.’ Ou seja, não confrontar o cliente. Aproveitar o que ele diz para melhorar o serviço e vender mais.

Liberi, no centro, com alguns de seus faixas-pretas. Foto: Arquivo Pessoal

Isso quer dizer que os ensinamentos no dojô vão muito além dos golpes…

O Jiu-Jitsu é muito mais uma filosofia de vida do que uma luta. Quem consegue entendê-lo como filosofia, o leva para a vida toda. Os que conseguirem passar ele além da luta conseguirão abrir portas em empresas ou no que for. Abre-se um novo campo que pode ser explorado em diversas áreas. Quem se ater apenas à luta, vai treinar por pouco tempo.

Você ajudou a Mercedes, uma das maiores montadoras do mundo. Mas a ênfase em atender bem e oferecer um bom serviço também faz a diferença nas próprias academias. Comente sobre o Programa de Escolas Premium Gracie Barra?

Foi uma grata surpresa esse novo programa, implementado pela Gracie Barra nos Estados Unidos, que começa aqui no Brasil. Entre as propostas, separamos os alunos pela experiência (fundamental, avançado e faixa-preta). Dessa forma, os iniciantes não tem aquele susto de ser espancado no primeiro treino. Quando tratamos iniciantes assim, além de conseguirmos novos alunos, fazemos com que eles sejam fiéis à academia e não desistam. O número de faixas-brancas, que é o futuro, aumentou muito nas academias que passaram a usar o sistema. A base é muito bem trabalhada e, com base sólida, não tem como ele não ser um ótimo competidor. O Roger Gracie usa nas competições tudo o que um faixa-branca faz nas primeiras aulas. Ele faz perfeito, porque a base dele foi muito boa. Então estamos criando um exército de ‘Rogeres Gracie’! O método consiste numa série de ações. A aula é padronizada pelo mestre Carlos Gracie Jr., há um controle de freqüência e existe uma padronização também na montagem da academia e uniformização dos alunos. Deixa de ser uma academia e se torna uma escola de Jiu-Jitsu. Só como exemplo, tive um pulo de 90 para 200 alunos em apenas um ano.

Como os professores de todo o Brasil podem ficar por dentro e aderir a esse sistema?

Estamos informando todos os professores através do e-mail associacao@graciebarra.com. Por aí posso dar todas as informações necessárias para os professores se alinharem com a idéia da Gracie Barra Premium. No Brasil, começamos esse projeto na minha academia, em Campinas, e com o Jefferson Moura, no Rio de Janeiro. Quando se faz necessário, vou ao local para ajudar na implementação. Mas é bem simples. É só o professor estar disposto a seguir, que é sucesso certo.

Programa de Escolas Premium deixou a academia lotada. Foto: arquivo pessoal

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