Zé Radiola: das ondas aos dojôs

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Zé ao lado dos alunos, Max, Victor e Bráulio. Foto: arquivo GRACIEMAG

Muitos podem até pensar que Jiu-Jitsu e surfe são esportes que não têm nenhuma relação. Entretanto, é interessante o fato de muitos praticantes da arte suave relaxarem, entre as sessões de treinos, nas ondas. Temos aí exemplos como Rickson, Relson e Royler Gracie, entre muitos outros. O contrário também acontece. O maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater, é admirador confesso da arte suave, e não podemos esquecer do super campeão de longboard Joel Tudor, que arrebenta nos tatames e participou da última edição do ADCC.

Mas o que isso tem a ver com José Olímpio, mais conhecido pela galera que veste kimono como Zé Radiola? Mestre de feras como Bráulio Estima, Zé foi surfista profissional, mas se rendeu à arte suave e hoje comanda um exército de campeões em Pernambuco, na Gracie Barra PE.

“Conheci o Jiu-Jitsu através de um amigo meu, em São Paulo. Era surfista profissional, mas, sempre gostei de lutas e me identifiquei. Passei a praticar e, como sempre viajava ao Rio para as competições de surfe e todo mundo treinava , deu no que deu”, conta o faixa-preta.

Zé Radiola ainda arrebenta nas ondas. Foto: Eduardo Batata

Entretanto, criar a estrutura necessária e o conhecimento para construir uma grande equipe, formada por campeões e praticantes que também adotaram a arte suave como estilo de vida, não foi um trabalho fácil.

“Em Recife tive um pouco de dificuldade, porque não havia aqui o Jiu-Jitsu que estava procurando. Foi quando tive a oportunidade de conhecer o mestre Carlinhos (Gracie Jr.) num campeonato e fui muito bem recebido. Depois disso comecei a ir ao Rio de Janeiro, na Gracie Barra. Era praticamente bolsista e sou muito grato por isso”, diz.

“Tive essa chance com o Carlinhos e me abracei a todos os conhecimentos que ele passou. Fui pondo tudo em prática”, completa.

Daí para frente, Zé Radiola passou a ir ao Rio de Janeiro a cada dois meses, para aperfeiçoar a parte técnica. “Carlinhos também mandava para Pernambuco os melhores faixas-pretas para fazer seminários. Feras como o Márcio Feitosa e o Flávio Cachorrinho, entre outros. Eles passavam posições, davam uma força enorme para crescermos”, explica.

Formando uma família – A academia foi inaugurada no final de 1996, em Jaboatão dos Guararapes, que fica ao lado de Recife. Uma das metas da arte suave é proporcionar qualidade de vida ao praticante comum. Mas não há como negar a importância de heróis dentro do time. Zé Radiola teve um cuidado especial com esses, que podemos chamar de competidores.

“Moramos num país em que é difícil encontrar empresas que invistam em modalidades que não são olímpicas. O conhecimento que tive através do surfe me ajudou muito nessa política. Corri atrás de patrocínio para os meus atletas e, através disso, o Bráulio Estima lutou pela primeira vez no Pan. O professor tem que ter a visão lá na frente. Ele não pode só pensar no presente. Muitos têm talento fora do comum, mas não tem condições financeiras. Tive que me concentrar como professor e não ter a vaidade de pensar só em mim”, lembra ele.

Bráulio finaliza André Galvão no ADCC. Foto: Ivan Trindade

“Bráulio treinava judô e veio fazer Jiu-Jitsu com a finalidade de melhorar o chão quando eu ainda era faixa-roxa. Se identificou muito com o esporte e comigo. Começamos a fazer um bom trabalho, ele passou a competir e a ter resultados. Depois a coisa foi crescendo, porque aqui é como se fosse uma família, um sempre ajuda ao outro. Toda vez que íamos ao Rio competir, voltávamos com alguma medalhinha. No primeiro ano foram dois, no segundo quatro e assim por diante. Começaram a aparecer resultados e os outros foram se inspirando. É aquele efeito dominó.”

De Pernambuco para o mundo – O treinador também faz um ótimo trabalho na expansão da arte suave pelo mundo. Através de seminários na Europa, abriu portas para o Jiu-Jitsu em vários países do continente.

Entre os alunos que estão por lá, Bráulio Estima é o responsável pela Gracie Barra Birmingham, na Inglaterra. Outro pupilo de Zé no Velho Continente é Max Carvalho, na Hungria. Juntos, organizaram em 2009 o 5º Open Brazilian Jiu-Jitsu Hungary, que teve a participação de mais de oito países da Europa e 250 atletas.

Aos 45 anos, Zé Radiola comanda um time com diversos faixas-pretas. Além dos já citados Bráulio e Max, feras como Victor Estima, Otávio Sousa e o faixa-marrom Lucas Rocha, entre outros, brilham nos dojôs. Mas isso é apenas uma pequena fatia do que o Jiu-Jitsu proporcionou na sua vida.

“Hoje tenho respeito da minha família e dos meus amigos. O Jiu-Jitsu me mudou muito e as pessoas têm que acreditar nisso. A Gracie Barra não é só uma academia, é uma escola. E os que estão ali têm uma segurança especial, cria-se um alicerce para o resto da vida. Agradeço muito ao mestre Carlinhos”, finaliza.

Seminário em Moscou. Foto: Arquivo GRACIEMAG

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There are 20 comments for this article
  1. Regis Cadete (Bacon) at 11:29 am

    Com todas dificuldades que existe hoje em Pernambuco Zé com um grande esforço coloca tanto no Surf como no Jiu Jitsu o nosso estado de Pernambuco no topo do mundo. Parabéns Zé e mais sucesso com sua fábrica de campeões!!!

  2. Rafael Ellwanger at 3:28 am

    me lembro muito bem a gente pegando o ultimo metro da tijuca para copacabana depois de varios brasileiros e mundiais.

    sempre humilde e sorridente.

    investimento , pensando no futuro.
    hoje estamos todos bem,
    parabens professor, Gracie Barra Forever

  3. Rafael Mafra at 12:34 pm

    O que falar Depois de ler a historia desse cara,
    po agradecer em fazer parte dessa familia e de ter a
    oportunidade de treinar com ele, Jiu Jitsu de 1° Mundo
    mesmo com todas as dificuldades de nivel Nordeste
    a GRACIE BARRA-PE não fica atras de niguem do mundo,
    parabéns Zé que Deus ti abençoe.

  4. claudeci almeida at 9:35 pm

    o que falar de uma pessoa especial como ze ,sou mae de um dos seus aluno,começou cedo com l4 anos,levantou titulos,depois afastou-se dos tatames por quatro anos,voltou em 2005 e encontrou em ze ,um meste,um amigo.hoje digo que e um campeao em tudo que faz e um faixa preta.a ze devo tudo que meu filho e, por todas essas coisas que e amado por todos que fazem da gracie barra pe,uma fabria de campeos a graciemag estava devendo esta homenagem ao ze,parabens a ze e graciemag

  5. SANDO GAMA at 5:09 pm

    Bom!para começar sou aluno da Zé Radiola a muitos anos eu posso dizer é que se uma pessoa quiser ser um vencedor na vida no mundo do “jiu-jitsu” tenha foco preste bastante atenção nas aulas e o resto deixe com ele,pois são poucos professores que tem a cartilha desse esporte completo isso é fato comprovado pelos títulos que a GRACIE BARRA-PE conquistou durantes todo esses anos,títulos que outras academias de Pernambuco se curvão ao ver um atleta da GRACIE BARRA-PE,tenho muito orgulho de ser aluno de uma pessoa que olha alto pra frente e nunca baixa a cabeça pra nada e pra nínguei,só com esse tipo de atitude todos podem vencer na vida tanto dentro ou fora do tatame.

  6. Diego "Sem Noção" Ramalho at 10:05 am

    É um orgulho fazer parte dessa família que é a Gracie Barra PE.

    o Zé como sempre ajudando muito agente. Se eu for falar aqui o quanto ele já me ajudou tanto financeiramente para competições, viagens etc. Tanto correndo atraz de Patrocínio. Tanto no Jiu Jitsu mostrando posições que concerteza encaixaram perfeitamente no meu jogo. Tanto em converssas que serviram para eu tomar um rumo na minha vida.

    Zé muito obrigado por tudo.

  7. batman at 2:59 pm

    parabéns zé pelo excelente trabalho e por ser o ótimo professor que você e pode ter certeza que você crescer mais e mais.

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