Lágrimas, luta na cozinha e uma faixa rubro-negra

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Observado por outros 50 faixas-pretas, o primo Rickson e uma quantidade de pessoas capaz de lotar a espaçosa nova sede da Gracie Barra America em Irvine, Califórnia, Renzo Gracie segura a faixa vermelha-e-preta do seu mestre, Carlos Gracie Junior.

Todos esperam a última piada do discurso (em inglês), e, surpreendentemente, o bem-humorado mito das lutas começa a chorar copiosamente. “Não riam”, ele ainda descontrai, antes de enxugar as lágrimas e abraçar Carlinhos, amarrando a pomposa nova faixa na cintura do professor.

A cerimônia de graduação, realizada na noite de 3 de junho de 2008, foi aberta pelo fiel pupilo Márcio Feitosa, que, emocionado, entregou o comando para o faixa-preta e economista Flávio Cachorrinho, que apresentou os convidados para discursar, começando por Rickson Gracie.

“Nós, Gracie, temos uma missão muito maior do que o MMA. O MMA foi usado para mostrarmos a eficiência do Jiu-Jitsu, mas nosso verdadeiro papel é o de fortalecer as boas qualidades do ser humano, através do Jiu-Jitsu. E, por tudo o que ele construiu, eu me orgulho de ser seu parente”, disse Rickson.

Ainda falaram o contemporâneo de Carlinhos e pioneiro do Jiu-Jitsu no Reino Unido, Maurício Gomes, seu filho e atual detentor do título mais importante do Jiu-Jitsu, o campeão mundial absoluto Roger Gracie.

E o responsável pela introdução do Jiu-Jitsu para o xeque Tahnoon (e portanto pela criação do ADCC), Nelson Monteiro; o graduado de Carlinhos com mais faixas-pretas formados (60), Vinicius Draculino; o pernambucano Bráulio Estima; e o também faixa-preta de Carlinhos e vice-presidente de GRACIEMAG, Luca Atalla. E, representando uma nova geração de alunos, o faixa-azul Kenny Epstein.

O MMA foi usado para mostrarmos a eficiência do Jiu-Jitsu, mas nosso verdadeiro papel é o de fortalecer as boas qualidades do ser humano” Rickson

Apresentado simplesmente como o melhor aluno formado por Carlinhos, e autor do discurso final antes da graduação, Renzo destacou a importância do ambiente que Carlinhos criou para o desenvolvimento da arte.

“Ficar casca-grossa, ser um campeão, isso tudo passa. Acho que a coisa mais importante que encontrei dentro da academia dele foi amor”, disse, chorando, antes de abraçar o mestre.

Renzo contou uma passagem que ilustra como seu tio usa uma psiocologia inversa para estimular:

“Ele olhou para mim [quando Renzo era um jovem menos graduado, e treinava entre a família], e disse na frente de todo mundo: ‘Renzo, o que eu vou fazer contigo? Você está horrível!’ Ele só precisou falar daquele jeito para eu provar para ele que eu podia ficar bom.”

Carlinhos envergou a faixa nova amarrada por Renzo sem pompa:

“Não dou importância à faixa. Somos nós que damos personalidade à faixa, e não ela que nos dá. Mas me orgulha ter vocês todos aqui reunidos. Isso é o que eu amo e nunca vou mudar. No futuro, posso ter uma casa melhor, um carro melhor, mas vou continuar vindo para a academia diariamente, treinando com minha família.

Quem mira a lua e erra o alvo ainda estará entre as estrelas. Por isso prego uma vida saudável e espero ter vocês reunidos aqui por muito tempo” Carlos Gracie Jr.

“Tenho 52 anos, e me espelho no exemplo do meu pai, que, quando eu nasci, tinha 56, e ainda teve mais cinco filhos depois. Portanto, quando alguém chega com 40, 50 anos para treinar e acha que está velho para isso, eu explico que nunca é tarde para fazer o que sonhamos.

“Meu pai nos estimulava a sonhar. Como li outro dia quem mira a lua e erra o alvo ainda estará entre as estrelas. Por isso prego uma vida saudável, e espero ter vocês todos reunidos, muitos faixas-brancas e azuis, já como faixas-pretas, daqui a 18 anos, quando eu receber a faixa-vermelha. E tudo isso vai estar dez vezes maior”.

Carlinhos, cujas realizações são do calibre da Gracie Barra, da Federação Internacional de Jiu-Jitsu e de GRACIEMAG, promete:

“Isso é só o início”.

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