Conheça os feitos de Gui e Rafael, invictos no peso desde 2005
De tempos em tempos no esporte, surgem atletas que são vistos por quem os acompanha como diferentes dos demais, popularmente conhecidos como promessas. Muitos desses jovens talentosos ficam apenas no "quase" e por uma série de motivos não conseguem se firmar como campeões ou realidades. Os irmãos Guilherme e Rafael Mendes, de 20 e 18 anos, respectivamente, batalham para chegar ao topo do Jiu-Jitsu mundial desde os 13, e vêm encantando a todos, menos seus adversários, que vem sendo finalizados sumariamente em torneios Brasil afora nos últimos anos.
Para quem não conhece as credenciais desses paulistas de Rio Claro, que no primeiro olhar parecem muito tímidos, basta apenas dizer que eles não perdem uma luta no peso desde 2005, na faixa-azul. Hoje, os pupilos de Ramon Lemos e representantes da Brasa portam com orgulho a faixa-marrom e treinam entre nomes como Léo Veira, André Galvão e Bruno Frazatto, cascas-grossas famosos na arte suave.
Recebendo a faixa marrom após o Brasileiro de Equipes
"Treinar com esses caras é muito complicado (risos). Com o Leozinho não dá para fazer nada, nem se mexer direito, ele amassa todo mundo. O André (Galvão) treina mais solto por causa da diferença de peso, mas mesmo assim é sinistro. Você também pergunta também sobre os mais sinistros (risos)... Mas com a galera do nosso peso também é porradaria", garantem, com bom humor.
Relaxando após o treino com os faixas pretas Bruno Frazatto e Gilbert "Durinho"
Bicampeões brasileiros, tricampeões mundiais, pentacampeões paulistas e até campeões brasileiros de wrestling, essas são algumas marcas no currículo da dupla, que finalizou todas suas lutas nos últimos Brasileiro e Mundial. Sempre com um Jiu-Jitsu para frente, ofensivo, para pegar e não deixar dúvidas. No que diz respeito ao peso, apesar de terem recentemente subido do pluma para o pena, os irmãos franzinos possuem uma força insuspeitada, fruto da preparação física diária que pôde ser vista de perto na última seletiva do ADCC até 66kg.
Rafael ataca o pé de Frazatto na final da seletiva para o ADCC 2007
Ainda na faixa-roxa, e sem nenhuma experiência prévia sem kimono, Rafael, que na época tinha 17 anos e pesava apenas 62kg, chegou à final, perdendo apenas para Bruno Frazatto por pontos. "Na verdade era o nosso professor que iria competir, e só ajudávamos nos treinos. Mas como ele teve alguns problemas, resolvemos nos inscrever e representá-lo, mesmo sem nunca termos lutado sem kimono, e nem com alguém mais graduado. Foi uma das maiores experiências que tivemos", disseram em coro.
A última vez que ambos botaramo kimono para competirfoi no Sul-Brasileiro, realizado no final de semana passado em Florianópolis. Lá, deram mais um passo adiante, fechando o 27o campeonato seguido. Mesmo com tantas vitóriasem uma vida curta, os dois tem consciência de que o caminho ao estrelato ainda é árduo e longo e sabem que apesar de fazer o que gostam, sobreviver do Jiu-Jitsu no Brasil é complicado.
Prova disso é o fato de precisarem ajudar a mãezona nas despesas da casa dando aulas e puxando treinos, além de contar com o apoio de empresas para ajudar nos custos das viagens. "Nós não somos de família rica, por isso batalhamos muito para nos destacar e conseguir viver do Jiu-Jitsu. Graças a Deus existem pessoas que acreditam na gente. Nosso principal patrocinador é uma empresa daqui, as embalagens Miguel Arcanjo, e também temos o apoio da Kimonos Dragão", agradece Guilherme.
De imediato, os filhos da dona Elaine Mendes estão treinando quatro vezes por dia para não fazerem feio nas competições que vem a seguir, como o Brasileiro, Mundial e o Deep, evento sem kimono no Japão, que será o primeiro compromisso dos dois fora do eixo Brasil-Estados Unidos. Deixando o assunto mais esperado pelos meninos para o final, com a palavra o orgulhoso mestre Ramón Lemos, que avalia a atuação deles e dá uma boa notícia sobre a tão esperada faixa-preta:
"Eles sabem o que querem desde os 13 anos e treinam sem parar desde então. Não teria como ser diferente. Nas partes de fôlego, musculatura, técnica, cabeça e espiritual eles estão muito à frente. Acho que eles já estão no topo da marrom, eles vão ser muito diferentes do que existe hoje, querem ser os melhores e vão ser. Hoje eles são pena, mas não quero que segurem o peso, acho que no futuro até leve na preta não vai ter para ninguém. Quanto à faixa, sou muito preocupado com isso, vejo muitos professores graduando todo mundo. Para mim não é apenas ser lutador, tem que ter compromisso com o esporte. O Rafael e o Gui têm todos os critérios para serem preta, mas têm que cumprir uma etapa na marrom, pela regra da CBJJ tem mais um ano para ser cumprido. Aí sim eles estarão melhores ainda, mas hoje eles já mereceriam".