Brasil faz história no judô com prata no Mundial de Equipes, nova prova dos Jogos Olímpicos

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Equipe brasileira que conquistou o vice-campeonato no Mundial Por Equipes Mistas. Foto: Paulo Pinto/CBJ

Após conquistar quatro medalhas nas disputas individuais, o Brasil garantiu seu quinto pódio neste domingo, 03, ao chegar à final do inédito Mundial Por Equipes Mistas de Judô, prova que estreará em Olimpíadas nos Jogos de Tóquio 2020. Na decisão contra a forte seleção do Japão, o Brasil ficou com a medalha de prata e encerrou sua melhor participação em mundiais fora de casa, com um ouro, duas pratas e dois bronzes ao todo, além do quarto lugar geral no individual.

“Começar o primeiro Campeonato Mundial pós Olimpíada com esse resultado de cinco medalhas só dá mais motivação, não só aos atletas, como à comissão técnica, à direção da CBJ, aos nossos patrocinadores”, disse Ney Wilson, gestor de Alto Rendimento da CBJ. “Isso aumenta muito a autoconfiança de toda a equipe, o que é fundamental num início de ciclo olímpico para que a gente possa construir ao longo dos próximos três anos um trabalho que nos permita fazer um resultado semelhante em Tóquio.”

Onze atletas foram inscritos para a única prova coletiva do Mundial: Érika Miranda (57kg), Rafaela Silva (57kg), Maria Portela (70kg), Maria Suelen Altheman (+70kg), Beatriz Souza (+70kg), Marcelo Contini (73kg), Eduardo Katsuhiro (73kg), Victor Penalber (90kg), Eduardo Bettoni (90kg), Rafael Silva (+90kg) e David Moura (+90kg).

Nas preliminares, os seis judocas escalados para os duelos iniciais venceram 14, das 18 lutas disputadas. A equipe superou Polônia e Canadá por cinco a um para avançar à semifinal. Na sequência, o Brasil bateu a Rússia por 4 a 2 e classificou-se para a primeira decisão do Mundial por Equipes da história.

Na decisão, o Japão trouxe seus principais atletas, quatro deles medalhistas de ouro ou prata neste Mundial no individual, e venceu todos as seis lutas.

“Tem algo especial na competição por equipes mistas e gostei muito da energia. É um pouco diferente, mas é muito bom. O resultado de seis a zero não demonstra a realidade do que foi o confronto, pois foram lutas muito divididas, algumas decididas por detalhes no golden score. É um ótimo resultado para começarmos a nos preparar para os Jogos de Tóquio”, avaliou Victor Penalber após a final.

Para Maria Portela, a introdução da competição por equipes mistas foi bom para o Brasil pelo país ter atletas fortes tanto no masculino, quanto no feminino em diversas categorias.

“Estou bem satisfeita com nossos resultados, apesar de não conseguirmos marcar nenhum ponto na final. Estou muito feliz com a medalha de prata. A competição por equipes mistas deu certo para os atletas do Brasil, pois nossa seleção é formada por judocas talentosos tanto no masculino, quanto no feminino. Entrar no tatame e lutar não só por você, mas por todos que estão com você na equipe. Nós somos muito bons nisso”, concluiu.

O caminho do Brasil até a final

OITAVAS-DE-FINAL: BRASIL 5 X 1 POL

O primeiro adversário foi a Polônia em duelo válido pelas oitavas-de-final. Para este combate, a seleção foi escalada com: Rafaela Silva (57kg), Marcelo Contini (73kg), Maria Portela (70kg), Eduardo Bettoni (90kg), Maria Suelen Altheman (+70kg) e David Moura (+90kg).

A campeã olímpica abriu o duelo com vitória por waza-ari e Marcelo Contini (73kg) ampliou a vantagem com uma vitória por ippon. Maria Portela (70kg) imobilizou Karolina Talach por 20 segundos e marcou o terceiro ponto brasileiro. Eduardo Bettoni (90kg) jogou Piotr Kuczera por um waza-ari, marcou o quarto ponto e garantiu o Brasil nas quartas. Maria Suelen Altheman (+70kg) também imobilizou Anna Zaleczna até o ippon e aumentou o placar para 5 a 0. A Polônia conseguiu um ponto de honra no último combate com Maciej Sarnacki imobilizando David Moura por 20 segundos. Resultado final: Brasil 5 x 1 Polônia.

QUARTAS-DE-FINAL: BRASIL 5 X 1 CANADÁ

Novamente, Rafaela Silva abriu o confronto, mas caiu de waza-ari para Jessica Klimkait. Marcelo Contini levou um waza-ari de Antoine Bouchard, respondeu com outro e imobilizou o adversário no golden score para empatar a disputa. Maria Portela, também no golden score, superou Kelita Zupancic por um waza-ari, e Victor Penalber ampliou a vantagem para 3 a 1, com dois waza-aris sobre Louis Krieber Gagnon (90kg). Maria Suelen imobilizou Portuondo na quarta luta e garantiu o Brasil na semifinal com o quarto a um. Por fim, Rafael Silva jogou Kyle Reyes por waza-ari e fechou o placar.

SEMIFINAL: BRASIL 4 X 2 RÚSSIA

Rafaela Silva começou bem, com vitória por um waza-ari sobre Anastasiia Konkina. Na segunda luta, Eduardo Katsuhiro (73kg) forçou uma punição por passividade a Uali Kurzhev, no golden score, e fez o segundo ponto do Brasil. Em luta equilibrada no terceiro encontro, Maria Portela (70kg) foi paciente para finalizar Alena Prokopenko no quarto minuto do golden score, imobilizando a adversária por 20 segundos (ippon). A Rússia diminuiu, com Igor Igolnikov jogando Penalber de ippon, mas Maria Suelen Altheman, em grande forma, pontuou com um waza-ari e, na sequência, imobilizou Sokolova, anotou sua terceira vitória por ippon e garantiu o Brasil na final. Renat Saidov superou Rafael Silva na última luta, mas já era tarde. Brasil 4, Rússia 2.

FINAL: BRASIL 0 X 6 JAPÃO

O primeiro duelo foi entre duas gigantes. A campeã olímpica Rafaela Silva e a vice-campeã mundial Tsukasa Yoshida. No tempo normal, a luta terminou empatada nas punições (2-2) e, depois de mais de dois minutos de golden score, Rafaela foi imobilizada pela japonesa. No segundo combate, Marcelo Contini (73kg) encarou o campeão mundial Soichi Hashimoto, que pontuou com um waza-ari e ampliou a vantagem. O Japão abriu três a zero com Chizuru Arai que fez luta parelha com Maria Portela e venceu pela vantagem mínima de uma punição no golden score. Kenta Nagasawa (90kg) forçou três punições a Victor Penalber e marcou o quarto ponto japonês, já garantindo o ouro. Em seguida, Maria Suelen Altheman (+70kg) foi imobilizada pela vice-campeã mundial Sarah Asahina. No último combate, Rafael Silva (+90kg) sofreu o waza-ari com dois minutos e meio de golden score com Takeshi Ojitani, fechando o placar em seis a zero para os japoneses.

Entenda como funciona a competição por equipes mistas

Neste tipo de prova, cada confronto entre países tem seis lutas. Vence o duelo o país que tiver o maior número de vitórias individuais. O primeiro critério de desempate é o número de vitórias por ippon e o segundo é o número de vitórias por waza-ari. Se ainda assim o empate permanecer, será sorteada uma categoria de peso para fazer a luta final de desempate no formate de golden score, ou seja, o atleta que obtiver a primeira vantagem, mesmo que seja apenas uma punição, vence.

É a primeira vez que Federação Internacional de Judô está testando esse modelo de disputa com equipes formadas por homens e mulheres. O evento já está confirmado no programa oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, também de forma inédita.

Antes, as provas por equipes era separadas por gênero e não eram disputadas nas Olimpíadas. Nesse formato, o Brasil tem quatro pratas e dois bronzes, no masculino, além de um bronze e uma prata, no feminino.

(Fonte: Assessoria de imprensa)

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